Agora, bastam um taco e uma bike para jogar polo

Modalidade mais popular ganha adeptos em SP e começa a ser disputada em quadras de futebol do Ibirapuera e da Vila Madalena

Valéria França, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

Técnica. A maioria dos participantes usa fixedgears, bikes de velódromo, sem catraca nem freio: no lugar de aros, algumas têm placas de alumínio para evitar acidentes com os tacos

 

 Eles estão jogando polo, esporte originalmente disputado com o suporte de cavalos e que costuma reunir a nata da sociedade paulistana em extensos campos gramados, como os do Helvetia Country Club, em Indaiatuba, interior de São Paulo. O bike polo é uma variação popular, que começa a pegar na metrópole paulistana, mas já é febre em cidades europeias.

Em Londres, há um conhecido roteiro de jogos, que ocorrem num parque diferente da cidade a cada dia. Em São Paulo, o bike polo surgiu informalmente, há menos de um ano, no campo de futebol de salão da Praça José Carlos Burle, na Vila Madalena, zona oeste. "Tivemos dificuldade de achar um espaço, porque a maioria dos parques públicos não permite que as bikes entrem nas quadras", diz o designer chileno Pablo Gallardo, radicado em São Paulo. "Poucos conhecem o esporte."

Apaixonado pelo bike polo desde que passou uma temporada em Londres, Gallardo procurava uma quadra vaga, bem localizada e iluminada. "Todo mundo trabalha. Os jogos teriam de ser à noite", justifica. Até que achou a Praça José Carlos Burle, meio escondida do grande fluxo de carros. Ficou semanas observando o movimento do local, até descobrir que às quintas-feiras ninguém utilizava a quadra. Chamou a galera, que passou a se reunir ali, a partir das 20h30. Nem todos são do bairro. Tem quem venha do Jabaquara, zona sul; outros, da região da Paulista, caso do arquiteto Lex Blagus, de 31 anos, que acaba de entrar para o grupo. Logo na estreia, ele quebrou a bike. "Também saí todo ralado, mas adorei."

Regras. O jogo é violento. São três jogadores em cada time, que suam a camisa para bater na bola com o taco e marcar um gol. Parece fácil, mas não é. O jogador tem de roubar a bola, driblar o adversário e fazer passes estratégicos sem perder o controle da bike. Os acidentes são recorrentes. Até porque é permitido derrubar o adversário com o uso do ombro ou mesmo com o choque da bicicleta.

Outro detalhe que dificulta: os jogadores costumam usar as bicicletas de velódromos, as fixedgears, que não têm freios nem catracas. "São mais difíceis de controlar, porém, ganham em resistência de outros modelos", explica Gallardo. "Todo tipo de bike é bem-vinda." Blagus apareceu para jogar com sua mountain bike. E não era o único. No dia seguinte ao jogo, porém, teve de ajustar o câmbio, que ficou avariado.

A competição reúne muitos veteranos, como o paulistano Flávio Nonato, de 29 anos, que morou em Londres por oito anos e conheceu o esporte lá. "Para me sustentar arrumei emprego de carteiro", diz. O bike polo ganhou popularidade na capital inglesa justamente com essa categoria de trabalhadores, que utilizam as fixedgears para fazer entregas e, depois do serviço, para se divertir nas quadras.

Pontos de encontro. Mais recentemente, o grupo de São Paulo ganhou uma segunda quadra, a de futebol do Parque do Ibirapuera, toda terça-feira, a partir das 20h30. A turma também conquistou um ponto de encontro de lazer, o café do Gallardo, onde ainda funciona uma loja de roupas, revistas, objetos de design e acessórios para as fixedgears, a Tag and Juice (Rua Gonçalo Afonso, 990, Vila Madalena). Na frente da loja há um espaço para projeções de filmes sobre bikes, skate e grafite, entre outras expressões urbanas.

Regras do jogo

Equipe

Cada time é composto por três jogadores.

Regra 1

É proibido colocar os pés no chão. Mas, se isso acontecer, o jogador tem de se retirar do campo, bater o taco fora da linha, e só então voltar à partida.

Regra 2

É proibido enfiar o taco na roda do adversário ou usá-lo para desequilibrar ou agredir qualquer integrante do time.

Disputa 1

Nada impede, no entanto, que na hora da dividida da bola, o jogador use os ombros para tirar o adversário da parada.

Disputa 2

Na hora de dividir a bola, um jogador nunca pode estar no sentido contrário do adversário. O jogador deve estar colocado paralelamente e no mesmo sentido que o outro.

Tempo

Cada partida dura, no máximo, 10 minutos ou 5 gols.

Sorteio

Terminado o jogo, os interessados em participar da próxima partida jogam os tacos no meio da quadra. Há um sorteio aleatório de seis tacos, ou seja, seis jogadores.

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