'Agora, cuido do meio ambiente'

Ex-catadora comemora emprego em central

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2016 | 22h00

SÃO PAULO - Nas duas usinas mecanizadas de separação de material reciclável de São Paulo – na Ponte Pequena, no centro, e em Santo Amaro, na zona sul –, são ex-catadores de lixo que fazem a maior parte do trabalho depois de as máquinas usarem peneiras, balanças e até leitores óticos para selecionar os itens aproveitáveis.

Nas esteiras onde o material separado é depositado, os ex-catadores se encarregam de uma espécie de “controle de qualidade” para reter o material que os equipamentos automáticos deixam escapar.

É em uma dessas esteiras em que Dinair Feitosa, de 65 anos, trabalha em Santo Amaro. “Vivo do lixo há dez anos”, conta. “Antes, era catadora mesmo. Saia pela cidade puxando o carrinho, sem hora para começar nem para terminar”, lembra. Ter trabalho fixo em um endereço certo foi apenas uma das principais mudanças na vida da ex-catadora.

“Meu filho, ter hora para entrar, hora de almoço, hora para sair e dia certo para receber, tudo isso muda muito a sua vida”, afirma Dinair, sorridente. 

As finanças da trabalhadora também mudaram. “Sem contar que na rua você tira R$ 300, R$ 300 e alguma coisa por mês. Na fábrica, você consegue mais de R$ 1 mil e trabalha com máscara, óculos, luva. Antes, trabalhava com lixo. Agora, cuido do meio ambiente”, conta, gargalhando. 

Mais conteúdo sobre:
SÃO PAULO Santo Amaro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.