Ricardo Trombini
Ricardo Trombini

Agentes grevistas tentam barrar comboio de presos

Houve tumulto entre PMs e funcionários de penitenciárias; paralisação atingiu ontem 88 das 158 prisões de SP, diz sindicato

Chico Siqueira, Especial para o Estado

11 Março 2014 | 21h15

ARAÇATUBA - A greve dos agentes penitenciários de São Paulo cresceu nesta terça-feira, 11. O número de unidades que aderiram ao movimento subiu de 80 para 88 presídios e o de grevistas chegou a 16 mil, segundo o Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado de São Paulo (Sindasp). Houve também tumulto e bate-boca em penitenciárias onde agentes tentaram impedir a saída de comboio com detentos.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), porém, informou que menos de 10% das unidades registraram falta de funcionários ontem por causa da paralisação. O Estado tem 158 presídios.

O futuro do movimento grevista, no entanto, era discutido em 14 assembleias na noite de terça, nas quais os grevistas votariam a proposta apresentada pelo governo do Estado em reunião de negociação com o comando pela manhã. Até as 20h30, apenas algumas assembleias haviam terminado.

O governo concordou com redução de apenas uma classe na carreira – os agentes queriam a redução de duas –, com o pagamento do bico legalizado de R$160 e vai estudar o pagamento de bônus em 30 dias. A correção salarial de 20,64% e aumento real de 5% reivindicados pelos agentes não foram aceitos, mas o governo aceitou montar uma comissão para estudar a correção em 60 dias.

Por volta das 19h, os agentes da região de Presidente Venceslau, onde está a penitenciária que abriga os líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), votaram pela continuidade da greve. "O governo não apresentou uma proposta razoável", disse o presidente do Sindasp, Daniel Grandolfo. Para ele, a possibilidade maior era de prosseguimento da greve.

O diretor jurídico do Sindasp, Rozalvo José da Silva, entretanto, disse que uma terceira via também estava em votação. "Pode ser que os agentes decidam pela suspensão da greve, por um determinado tempo, para o governo apresentar outra proposta de reajuste de salários", afirmou.

Tumultos. Diretores do sindicato estavam preocupados ontem com os tumultos registrados em diversas unidades, quando grevistas quase entraram em confronto com a Polícia Militar. "Hoje (terça-feira) era dia do ‘linhão’ e, como as unidades não aceitam receber nem liberar presos, a coisa esquentou", disse Silva. O "linhão" é a união dos comboios de presos do Oeste Paulista, que saem de cada presídio e se encontra em Martinópolis. De lá, formam um grande comboio para levar presos para audiências em fóruns da capital e Grande São Paulo.

"Enquanto esperam audiência, os detentos ficam detidos em presídios da Região Metropolitana", explicou Silva.

Em Martinópolis, os agentes em greve impediram que 14 caminhões e um ônibus com mais de cem presos retirassem e deixassem detentos. A PM foi chamada, houve bate-boca, mas a situação foi resolvida com a liberação de detentos.

Em Presidente Prudente, os agentes colocaram um tubo de concreto para impedir que um caminhão deixasse o presídio com detentos. Em Pinheiros, grevistas também entraram em conflito com agentes que chegavam com detentos.

Segundo a SAP, muitos dos funcionários que ficaram na frente dos presídios estavam de folga ontem. A pasta disse que "o índice de prisões que tiveram algumas atividades paralisadas é de cerca de 20%".

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