Agentes em greve desafiam Justiça e barram remoção de 250 detentos

Grevistas bloqueiam prisão em Dracena que reuniria presos de vários locais que seriam transferidos. Piquetes acontecem após liminar da Justiça impedir suspensão de serviços nas penitenciárias

Chico SIqueira, O Estado de S. Paulo

14 Março 2014 | 18h32

DRACENA - Os agentes penitenciários de São Paulo desafiaram a Justiça e barraram nesta sexta-feira, 14, a remoção de aproximadamente 250 detentos de penitenciárias do interior de São Paulo. Cerca de 150 grevistas participaram dos piquetes que bloquearam a entrada da Penitenciária de Dracena, onde se concentrariam presos de vários locais que seriam transferidos, e impediram que caminhões e ônibus entrassem na unidade para fazer a troca de veículos.

Os piquetes foram feitos um dia após o governo do Estado obter liminar da Justiça proibindo os grevistas de impedir o transporte e a remoção de detentos e de dificultar o cumprimento dos direitos da comunidade carcerária. Para garantir que ninguém entrasse na unidade, diretores de sindicatos lacraram o único portão de entrada da penitenciária de Dracena com barras de ferro retorcidas.

É da Penitenciária de Dracena que parte o chamado Linhão Caipira, formado por dezenas de caminhões e ônibus que transportam detentos que estão sendo transferidos de um presídio para outro, ou saindo de centros de detenção provisória para cumprir pena nas penitenciárias. Eles partem de diversas unidades do interior e se encontram em Dracena, onde a troca de detentos é feita entre os veículos.

Protesto. Depois de gritar palavras de ordem e contra o governador Geraldo Alckmin (PSDB), os manifestantes, muitos vestidos com camisetas e coletes da CUT e Força Sindical, aplaudiam com os veículos voltavam de ré ou faziam o retorno, quase sempre depois de agentes conversarem com os motoristas. Em determinado momento, o clima ficou tenso, com o aumento de viaturas da PM e boatos sobre a chegada da Tropa de Choque.

Além de detentos, advogados também foram impedidos de entrar na unidade, como o criminalista Robson Fernandes, que disse ser morador de São Bernardo do Campo e teria viajado 700 quilômetros para visitar seu cliente. "Eu sabia da greve, acho que ela é justa, mas imaginei que houvesse bom senso, pois toda a greve tem de atender a população", disse. Sem poder entregar um documento ao seu cliente, Fernandes disse que voltaria em seguida para sua cidade.

A Secretaria de Administração Penitenciária informou que os dois sindicatos devem ser multados por desobedecer a decisão judicial e que vai apurar se os diretores das unidades tinham conhecimento da liminar. Segundo a SAP, os diretores dos sindicatos não tinham sido notificados da decisão da Justiça, o que facilitou para que organizassem os piquetes.

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