Agentes dizem que uso do celular não tem controle

Eles ameaçam greve que será decidida em assembleia neste sábado; funcionários criticam as condições na unidade

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

29 Março 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Parte dos agentes que atuam no Complexo Vila Maria da Fundação Casa promete começar uma greve a partir deste sábado. Uma assembleia, que deve ocorrer na Liberdade, na região central da cidade, vai decidir sobre a paralisação. Eles negam praticar tortura aos internos, mas dizem que não há condições de desenvolver ações educativas com os jovens por causa da agressividade deles e do pequeno número de funcionários.

A Fundação Casa nega a superlotação e as denúncias feitas pelos agentes (veja mais nesta página). Além de correção salarial, os funcionários defendem a greve por causa da superlotação das unidades e dizem que a falta de agentes dificulta o controle da "panela de pressão", como o complexo é chamado.

Um dos funcionários feridos na primeira fuga do Complexo Vila Maria, segundo os agentes, foi atingido por um extintor de incêndio na cabeça e permanece em estado grave.

"Os diretores de unidade tiveram de negociar com eles. Para evitar tumulto, eles estão liberados para fumar dentro das unidades. Há também consumo de maconha e cocaína. E eles usam celular para ficar no Facebook, sem que a gente apreenda os aparelhos", relatou um funcionário que pediu para não ter o nome publicado.

A reportagem entrou em uma das páginas apontadas pelo agente. Mostra um adolescente, apenas de bermuda e chinelo, no que aparentemente é o banheiro de uma unidade. Segundo o agente, a imagem foi feita dentro da unidade Vila Nova Conceição, na zona leste da cidade.

"Vários deles ficam no Facebook. Eles colocam PJL no final dos nomes. É paz, justiça e liberdade, lema do PCC (Primeiro Comando da Capital, a facção criminosa que domina os presídios paulistas). Não podemos fazer nada. Temos de deixar. Caso contrário, eles fazem rebelião", disse. Os amigos do rapaz que aparecia na página repassada pelo agente tinham essa sigla em seus nomes. Mas as fotos mostradas foram feitas em locais públicos. Além da Vila Maria e da Vila Nova Conceição, outros agentes relataram problemas parecidos nas unidades Guarulhos e Encosta Norte (no Itaim Paulista, zona leste).

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