Agentes da PF e da PM se confundem e trocam tiros em MG

Por estarem sem uniformes, grupos se confundiram com bandidos e iniciaram o tiroteio; três ficaram feridos

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo,

16 de abril de 2008 | 17h56

A Polícia Federal instaurou nesta quarta-feira, 16, um inquérito para apurar a troca de tiros entre agentes federais e policiais militares na terça-feira, 15, em Governador Valadares, na região leste de Minas Gerais. O incidente ocorreu em uma praça de um bairro de alta criminalidade da cidade. Os policiais envolvidos fazem parte do serviço de inteligência das corporações. Como não estavam caracterizados, os policiais teriam se confundido com bandidos armados. Dois PM's e um instrutor de auto-escola que passava pelo local ficaram feridos, mas não correm risco de morrer. Por volta das 17 horas, quatro agentes que estavam em um Palio e investigavam o tráfico de drogas na região do bairro Santa Helena começaram a ser perseguidos por um Uno branco. No Uno estavam quatro PM's do setor de inteligência da corporação, que suspeitaram do carro onde estavam os federais. O veículo tinha os vidros escuros e placas de outra cidade. Segundo a PM, quando abordaram o Palio, os militares foram recebidos a bala. Um cabo foi atingido no braço direito e um soldado recebeu um tiro na mão direita. Os nomes dos PM's não foram divulgados. Eles estavam internados em observação. O instrutor de auto-escola Marcos Aurélio Munis de Oliveira foi baleado de raspão no peito e liberado depois de medicado. O tiroteio ocorreu na Praça da Valdinelly, uma área movimentada, com várias lojas e casas. O Uno da PM foi atingido por pelo menos 15 dos 22 tiros disparados. A PM afirma que seus homens não fizeram disparos, mas testemunhas afirmaram que houve revide. "Foi um incidente em razão das circunstâncias. Não dá para dizer que foi culpa de ninguém. É algo possível de acontecer em qualquer lugar, principalmente um local freqüentado por bandidos", disse o delegado Rui Antônio da Silva, chefe da PF em Governador Valadares. O tenente-coronel Ricardo Calixto, da assessoria de comunicação da PM, disse que uma sindicância regular será aberta pela corporação para apurar as circunstâncias do episódio. Ele, porém, fez questão de classificar o fato como um "incidente ocasional", que não irá influir no bom relacionamento entre as duas corporações.

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