Agentes à paisana farão 'blindagem' sem atrapalhar caminhada

Seguranças vão formar círculos móveis ao redor do pontífice enquanto PF e Guarda Suíça cobrirão Bergoglio de perto

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h07

O relógio que cerca o papa Francisco nos seus contato com fiéis nas ruas gira nos dois sentidos e os intervalos são marcados por homens. Os agentes da segurança direta do pontífice têm a missão mais delicada do grande plano da garantia do chefe de Estado do Vaticano, em sua visita ao Brasil: blindar o contato direto a ele, mas sem comprometer o seu estilo popular.

O relógio humano funciona, na prática, como uma muralha: um dos mostradores, mais distante, gira em torno do protegido no sentido horário. O outro, mais próximo, faz o mesmo, seguindo o movimento anti-horário. De fora, o papa estará coberto o tempo todo, sem intervalo, por um muro compacto.

A seu lado, outro grupo, formado por homens da Polícia Federal e da Guarda Suíça, que virão na comitiva oficial, será responsável pela reação mais extrema - são os "agentes do tiro", os que devem cobrir e retirar Jorge Bergoglio na hora de um eventual ataque, treinados para saltar na frente de um disparo.

Não é um procedimento especial para Francisco. Outros governantes considerados de alto risco - o presidente americano, Barack Obama, por exemplo -, recebem o mesmo cuidado. No País, a informalidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigiu a adoção do "relógio".

Os números, claro, são reservados. Um militar do Exércit0, ex-integrante do quadro de segurança presidencial em Brasília, disse ontem, ao Estado, que o dispositivo montado em Guaratiba, no Rio, onde foi instalado o Campus Fidei (cenário de celebrações das quais devem participar até 1,2 milhão de pessoas), poderá envolver acima de 400 homens e mulheres.

Poucos deles estarão vestindo terno ou trajes formais. O time do círculo de defesa, sim, usará roupas escuras. Segundo o oficial, servirão para atrair a atenção de um manifestante exaltado ou, pior, o rosto do atentado, uma face pálida, a atitude tensa, o olhar fixo, a roupa inadequada para o clima do dia.

O grupo vai trabalhar pesado nos dias 27 e 28, os dois últimos da Jornada. No sábado, o papa vai à Catedral e ao Teatro Municipal do Rio, locais de intensa exposição. Pode ser, ainda, o momento do encontro com a presidente Dilma Rousseff - até ontem, a agenda dessa reunião não estava fechada.

No domingo, o papa Francisco celebra a Missa do Envio, em Guaratiba. De acordo com a organização da Jornada, é lá que estará outro problema para o esquema de segurança: Cristina Kirchner, a presidente da Argentina, que ontem confirmou a presença. Outros três chefes de Estado da região consideram a possibilidade de viajar para o Rio: Juan Santos, da Colômbia, Nicolas Maduro, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.

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