Agente da PF atira R$ 30 mil pela janela

Cercado por policiais de operação que investiga contrabando em áreas de fronteira, ele arremessou pacote em terreno baldio

FAUSTO MACEDO, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2012 | 03h02

Cercado pela Operação Erupção, na fronteira do Paraná com o Paraguai, um agente da Polícia Federal atirou R$ 30 mil em dinheiro vivo pela janela do apartamento onde mora. Quando se viu acuado pelos policiais que foram prendê-lo por ordem judicial, ele arremessou o pacote de dinheiro no terreno baldio ao lado do prédio onde reside. Mas a PF fez uma varredura no local e encontrou o dinheiro, que foi formalmente apreendido.

Suspeita-se de que o dinheiro tenha origem em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na fronteira.

A Operação Erupção foi desencadeada ontem em Guaíra e imediações para desarticular uma organização criminosa formada por policiais federais e empresários suspeitos de facilitar o contrabando e o descaminho de mercadorias em área de fronteira. Três agentes e um delegado da PF estão presos, sob suspeita de receberem vantagens financeiras de contrabandistas para deixar de combater as ações ilícitas por eles praticadas. Os federais serão enquadrados também por crime de lavagem de dinheiro.

A Operação Erupção cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 16 ordens de busca e apreensão expedidas pela Justiça Federal de Curitiba, nos municípios de Guaíra, Londrina e Francisco Alves, no Estado do Paraná. "A gente não fica feliz, mas tem de ser feito", disse o delegado José Alberto Iegas, superintendente regional da PF no Paraná. "Faz parte do jogo."

Iegas explicou que as investigações tiveram início há um ano, quando surgiram denúncias de enriquecimento ilícito de agentes federais. O superintendente da PF mobilizou o setor de inteligência da corporação, que passou a monitorar policiais sob suspeita. Com os recursos recebidos de grupos criminosos, os federais ampliaram ostensivamente seu patrimônio pessoal.

Os federais capturados são agentes experientes - o acusado com menor tempo de casa está há 7 anos na PF. A PF revelou que a lavagem de dinheiro ocorria de diversas maneiras - parte dos investigados aplicava os recursos no mercado imobiliário com a compra de imóveis na região de Guaíra e na construção de empreendimentos. Outra parte investia em franquias no Paraguai. O outro núcleo é suspeito de desvio de mercadorias que deveriam ser apreendidas.

Crimes. A corporação já obteve autorização para o bloqueio de bens e valores de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo criminoso. Os servidores envolvidos responderão a processo administrativo, com afastamento preliminar das funções, podendo acarretar em pena de demissão. Os crimes investigados são lavagem de dinheiro, corrupção, prevaricação, peculato, contrabando e descaminho, além de concussão e abuso de autoridade. Os presos permanecerão na Superintendência Regional da Polícia Federal no Paraná.

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