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Conta de água vai ficar 8,45% mais cara a partir de maio

Sabesp diz que reajuste está abaixo da inflação; especialistas observam ainda demanda reduzida e custo maior de produção

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

12 Abril 2016 | 09h11

SÃO PAULO - Após o cancelamento de descontos por economia e da multa para os “gastões”, a conta de água e esgoto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai ficar 8,45% mais cara a partir de 12 de maio. O reajuste foi autorizado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp), menos de um ano após o último aumento entrar em vigor. Especialistas afirmam que a nova tarifa corrige a inflação e alegam que a produção de água diminuiu por causa da crise hídrica.

Na deliberação, a Arsesp diz que o reajuste foi calculado com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), de 9,38% nos últimos 12 meses, descontado um “fator de eficiência” de 0,93%. A agência reguladora também diz que a revisão tarifária ordinária da Sabesp já estava prevista para abril de 2016.

Com o reajuste, a tarifa residencial normal vai subir para R$ 22,38 no consumo de até 10 m³ de água. Por sua vez, a tarifa social, voltada para famílias de baixa renda, aumenta de R$ 7 para R$ 7,59 nessa faixa de consumo, com a aplicação do mesmo valor para esgoto. 

Em nota, a Sabesp afirma que o reajuste “será inferior à inflação no período de março de 2015 a março de 2016”. Em junho de 2015, a conta de água já havia subido 15,24% – o maior reajuste extraordinário desde 2003. À época, a companhia justificou o aumento pelo custo da energia elétrica e queda do consumo de água durante a crise.

Para o professor de Hidrologia da Universidade de São Paulo (USP) Ivanildo Hespanhol, o aumento é “justo”. “É preciso considerar que está abaixo do IPCA, a demanda está muito reduzida e houve aumento no custo de produção”, disse. “Com o panorama brasileiro, não tem como deixar de reajustar.”

Justificável. Antônio Carlos Zuffo, especialista em Hidrologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirma que a alta na conta de água “acompanha uma diferença de inflação”. “No ano passado, o aumento foi maior justamente por causa da redução do consumo e da queda de recursos.”

Em 30 de março, a Arsesp já havia autorizado o fim do bônus para quem economizar água e da multa para os “gastões”. Tanto o desconto quanto a tarifa de contingência foram medidas tomadas em 2014, durante a crise hídrica, para evitar desperdício.

O cancelamento dos programas foi solicitado três semanas depois de o governador Geraldo Alckmin (PSDB) decretar o fim da crise. No pedido, a Sabesp argumentou que a atual situação hídrica permite “maior previsibilidade sobre as condições dos mananciais”. 


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