TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Agência notifica Sabesp por fechar 40% da rede

Empresa tem de esclarecer manobra confirmada por dirigente ao ‘Estado’; companhia pode ser multada por corte sem aviso prévio

Fabio Leite e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

12 Fevereiro 2015 | 03h00


A agência paulista que fiscaliza os serviços de abastecimento de água determinou que a Companhia de Saneamento Básico do Estado São Paulo (Sabesp) tem até esta sexta-feira, 13, para esclarecer o fechamento de 40% da rede na região metropolitana durante a crise hídrica. A prática foi admitida ao Estado por um dirigente do alto escalão da empresa e divulgada na edição de sábado.

Em nota, a Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Arsesp) informou que tomou conhecimento das manobras feitas pela Sabesp na rede apenas por meio da reportagem e disse que a companhia pode ser multada se ficar comprovado que ela suspendeu ou interrompeu o abastecimento de água sem aviso prévio.

No dia 7, o Estado revelou que o fechamento do registro de água é feito em pelo menos 40% da rede de distribuição da Sabesp. Segundo um dirigente da companhia, a prática é adotada nas regiões onde não existem válvulas redutoras de pressão (VRPs) instaladas. São esses equipamentos que o governo Geraldo Alckmin (PSDB) afirma usar para diminuir o desperdício de água na rede, provocando cortes generalizados no abastecimento.

Manobra. Nesta quarta, por volta das 13 horas, a reportagem flagrou dois funcionários da Sabesp conhecidos como “manobristas” fechando três registros de água na esquina das Ruas Tiro ao Pombo e Parapuã, na Brasilândia, na zona norte da capital. 

Equipados com volantes gigantes e barras de metal, eles abrem as tampas dos equipamentos e rosqueiam o registro para cortar o fornecimento de água. Ao perceberem a aproximação do Estado, os funcionários saíram do local em uma picape da Sabesp. Um deles, no entanto, afirmou que a manobra serve para cortar o abastecimento.

Mesmo com o serviço incompleto, a água começou a vazar por um dos registros. “Liga para o 195 (telefone da Sabesp)”, afirmou um dos funcionários ao ser questionado sobre a operação. Os moradores e comerciantes que ficam próximos dos registros disseram que, diariamente após a manobra, a água começa a faltar. 

“Eles estão fazendo isso desde o fim do ano passado. Eles terminam de rosquear o registro e começa a faltar água”, afirmou o serralheiro Naldo Campos Lopes, de 35 anos, que usa compressor de ar para assoprar o pó de madeira que fica sobre o corpo após o dia de trabalho por causa da falta de água.

Na autoescola de Edna Lopes de Lucena, de 49 anos, os funcionários já se acostumaram a levar os bebedouros com galões de água para a parte de cima do local. “Depois que a Sabesp vem, a água do bebedouro não sai. Os alunos reclamam. Só à noite atendemos mais de cem pessoas”, afirmou. 

Procurada, a Sabesp confirmou que parte da “gestão da demanda (de água) é feita por “manobras manuais”. Ainda de acordo com a companhia, “há locais altos e distantes dos reservatórios, onde a redução da pressão pode gerar problemas de abastecimento”. Sobre o vazamento, a empresa informou que a “passagem de água cessa no momento em que a manobra é concluída”. Segundo técnicos da Sabesp, o fechamento manual de registros corta o abastecimento.

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