África terá 1ª capital sustentável do mundo

Guiné Equatorial, país da costa ocidental rico em petróleo, quer construir até 2025 uma cidade para 160 mil pessoas movida a energias renováveis

JAIR RATTNER / LISBOA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h06

Depois de Brasília e de Abuja, na Nigéria, mais um país terá sua capital construída no centro do país. Em 2025, a cidade de Djibloho deverá substituir Malabo como centro político da Guiné Equatorial, pequeno país de 450 mil habitantes na costa ocidental da África. Ela promete ser a primeira capital ecologicamente sustentável do mundo.

Além de evitar o inchaço urbano nas duas principais cidades do país, a nova capital promete ter um papel unificador para o território da Guiné Equatorial. A atual capital, Malabo, localizada em uma ilha, é mais próxima da República dos Camarões que do território continental do país.

O projeto está sendo feito pelo arquiteto português Miguel Correia, a partir do ateliê Future Architecture Thinking, em Lisboa. "Será a primeira capital do mundo ecologicamente sustentável, inteiramente dependente de energias renováveis", conta.

Prevista para ter 160 mil habitantes em 8.160 hectares, a nova cidade ficará às margens do Rio Wele, a 125 quilômetros do litoral. Atualmente, o local é ocupado por uma floresta equatorial e um vilarejo com uma dúzia de casas. Estão previstos 40 mil casas e apartamentos, além de centros empresariais, áreas de lazer e edifícios governamentais. O conjunto terá também uma central de produção de energia elétrica fotovoltaica.

Ao contrário das cidades que tentam retificar o traçado dos rios - como ocorreu em São Paulo com o Tietê -, Djibloho procura estimular a relação dos habitantes com a água usando o curso dos rios. "Pretendemos manter as paisagens da água", relata Correia. Mesmo sendo no interior do país, a cidade terá uma marina e os principais edifícios públicos ficarão próximos do rio.

Todas as casas para a população de baixa renda terão um espaço para hortas e galinheiros. Com isso, pretende-se evitar que ocorram fenômenos como o das cidades-satélite de Brasília ou o que aconteceu em Abuja, na Nigéria, que viu nascerem favelas entre os bairros criados pelo planejamento urbano.

Construção. O projeto foi entregue em 2010 e as obras da nova cidade já começaram, especialmente a terraplanagem. Mas os custos para erguer Djibloho ainda não estão definidos. Uma primeira estimativa feita pelo arquiteto prevê que as obras custem 200 bilhões.

Uma das principais dificuldades é a falta de quadros qualificados no país. Não há engenheiros nem arquitetos suficientes. Há uma razão histórica para isso. Depois da independência da Espanha, em 1968, o primeiro líder do país, Francisco Nguema, eliminou a oposição e também a maior parte das pessoas com curso superior. A situação só mudou quando seu sobrinho, o atual presidente Teodoro Obiang Nguema, tomou o poder, em 1979.

Grande parte dos recursos para a obra virão do petróleo, produto responsável pela renda per capita de US$ 12.900, uma das mais altas da África. Apesar disso, indicadores como esperança de vida (51,6 anos) e alfabetização (85%) são de um país subdesenvolvido, pois há uma forte concentração de renda nas mãos de uma minoria ligada a Obiang.

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