JB Neto/AE
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Afilhado confessa ter matado pai com marreta na zona sul de SP

Ele e irmão tinham sido apadrinhados ainda crianças pela vítima, quando eram órfãos e moradores de rua

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

18 de novembro de 2010 | 07h47

SÃO PAULO - Um vigilante desempregado de 40 anos foi morto a golpes de marreta em sua própria casa na noite de quarta-feira, 17, em Cidade Ademar, zona sul da capital. Seu enteado, de 20 anos, ligou para o 190 e confessou o crime, segundo a polícia. Outro enteado, de 18, assistia a um filme na televisão no quarto ao lado quando ouviu o barulho do golpe e flagrou o irmão com a marreta na mão. Os dois tinham sido apadrinhados ainda crianças pela vítima, quando eram órfãos e moradores de rua no centro da cidade, há 15 anos.

 

Felício Alexandre Benedicto, ex-segurança da Protege, estava na cama quando foi golpeado na cabeça por Carlos Rocha Barreto, segundo a polícia. Seu irmão, Paulo, tentou tirar a marreta das mãos de Carlos e correu para buscar ajuda de vizinhos, mas Felício morreu no local. A família mora em uma residência alugada na Rua Fauré da Rocha desde fevereiro, quando sua casa antiga, na mesma rua, foi destruída pela enxurrada de um córrego em dia de chuva forte.

 

Segundo vizinhos, Felício não era um homem violento e tinha boa relação com os moradores da região, mas os três bebiam muito e, nas últimas semanas, estavam abusando do álcool. Quando a polícia chegou, Carlos estava parado do lado de fora da casa - os policiais suspeitam que ele seja deficiente mental e usuário de drogas.

 

"Uma pessoa que tirou duas crianças da rua, trouxe pra casa, cuidou, deu comida, deu escola, não merece esse fim. Quem fez isso não devia estar no seu juízo certo", disse a vizinha Maria de Fátima de Lima Silva, 52 anos, amiga de Felício. Segundo o sargento Pedro de Oliveira, da 4ª Companhia do 3º Batalhão Metropolitano, Carlos não soube informar o motivo do crime enquanto era interrogado. Seu irmão, segundo os policiais, acredita que foi "por maldade".

 

Maria de Fátima disse que a destruição da casa antiga afetou a família, que ficou três meses morando na rua e passou a exagerar no consumo de álcool. "De uns tempos para cá, os irmãos trabalhavam só o necessário para comprar pinga", disse o vizinho Edvaldo Ferreira da Silva, 29. Felício também tinha um filho de seu primeiro casamento, hoje comerciante, e uma mãe idosa que mora em Mogi Mirim.

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