Afastados 14 delegados acusados de integrar máfia da CNH

Fernando José Gomes, antigo chefe da Ciretran de Ferraz, foi preso; Justiça manteve outras 19 pessoas presas

06 de junho de 2008 | 18h35

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran) anunciou, no final da tarde desta sexta-feira, 6, o afastamento de 14 delegados de Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) da Grande São Paulo e da Baixada Santista. Além disso, o antigo chefe da Ciretran de Ferraz de Vasconcelos, delegado Fernando José Gomes, foi preso, acusado de integrar a máfia que falsificava carteiras de habilitação. Além da prisão do delegado, a Justiça decidiu prorrogar a prisão temporária de outras 19 pessoas, acusados de integrar a quadrilha que já tinham sido presos no início da semana, quando a Polícia Rodoviária Federal deflagrou a Operação Carta Branca.  VEJA TAMBÉMEm 1 ano, cinco escândalos abalam a Segurança Pública de SPDelegado do Detran de São Paulo é preso por tráficoMáfia queria ''comprar'' Ciretran de Ferraz Grupo intercedia em favor de integrantes do PCC Mais de 200 mil carteiras estão sob suspeita  Segundo as primeiras informações, dez dos delegados presos atuavam em Ciretrans da Grande São Paulo e outros quatro do litoral. Há expectativa que a cúpula da Polícia Civil de São Paulo se reúna ainda nesta sexta-feira para discutir o problema. A prisão deste delegado e de outro, de classe especial e pertencente ao Detrans de São Paulo, aprofunda ainda mais a crise que vive a polícia paulista sob o governo de José Serra (PSDB). A polícia já foi palco para escândalos como os achaques ao PCC, o assassinato do Coronel Hermínio Rodrigues e, agora, a máfia de carteiras de habilitação. A máfia das carteiras de habilitação tentou "comprar" a Ciretran de Ferraz de Vasconcelos para ter o direito de nomear o delegado que desejasse, de forma que a repartição trabalhasse só para os integrantes da organização criminosa. Pelos cálculos da quadrilha, a cadeira de delegado da Ciretran podia ser adquirida por R$ 120 mil. Por esse valor, que planejavam entregar aos escalões superiores da Polícia Civil, os donos de auto-escolas esperavam ainda se livrar da necessidade esporádica de pagar propina à Corregedoria do Departamento Estadual do Trânsito (Detran). O Ministério Público estadual (MPE) quer saber se a compra foi efetivada.A autora do plano foi a empresária Elaine Gavazzi, que exigiria a manutenção do delegado conhecido como Galo na Ciretran - onde trabalhava o delegado Edson Januzzi. A idéia surgiu depois que as auto-escolas foram obrigadas a fazer um rateio extra para arrecadar R$ 120 mil, a fim de comprar o silêncio dos corregedores que deviam fiscalizar a Ciretran. A propina seria paga em duas partes. "Segunda-feira, quando ele chegar para entregar a segunda parte, eu vou oferecer o dobro para ele ficar. Da outra vez que pediram a cabeça dele foi 120 mil e não precisava. Dessa vez eu quero saber qual o valor que tá pela cabeça dele", diz Elaine, em conversa com Paulo Luís Batista, funcionário da Ciretran.A cabeça pela qual ela quer pagar é a do delegado. Ela diz que pagar "luvas" pela Ciretran compensa, pois "depois ele (o delegado) vai ser só nosso" e Elaine completa dizendo que vai "dar umas idéias de louco para ele". A empresária e Batista estão entre os 19 presos na Operação Carta Branca.Interceptações telefônicas feitas pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão Crime Organizado (Gaerco), do MPE, demonstram que, para evitar que a Corregedoria apreendesse 8 mil carteiras da Ciretran de Ferraz, os integrantes da máfia aceitaram em 29 de abril pagar R$ 120 mil de suborno. Anteontem, o diretor da Corregedoria, Francisco Norberto Rocha de Moraes, e dois outros delegados foram afastados.Um mês antes do pagamento à Corregedoria, a empresária Elaine explicou ao comerciante Sandro Villanova qual era a situação em Ferraz. "Ele deu 80 mil para a Seccional de Mogi, a Seccional de São Paulo, e precisa de um prazo para fazer esse dinheiro. Ninguém tem dinheiro e o doutor Juarez (Campos) não vai tirar do bolso." Atualizado às 21h40 

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