Afastada do pai ajudou projeto

Por 19 anos, mãe de jornalista a impediu de ver o pai. Ela foi uma das articuladoras da nova lei

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

08 de julho de 2010 | 00h00

A jornalista Karla Mendes, de 40 anos, foi uma das articuladoras do movimento que levou a lei da alienação parental a passar no Congresso. Com a irmã, ela foi afastada do pai quando tinha 2 anos, após ele se separar da mãe.

Karla tinha forte rejeição ao pai durante toda a adolescência, acreditando que havia sido abandonada. Ao reencontrá-lo, aos 19 anos, descobriu que a mãe havia impedido e evitado a aproximação. E contava mentiras sobre o pai. "Ele conseguia vitórias na Justiça, mas minha mãe não cumpria. Nós não sabíamos e odiei meu pai até o dia em que ele nos encontrou e contou tudo", diz Karla, que participou do documentário A Morte Inventada, de Alan Minas. A jornalista se engajou na luta para aprovar a legislação depois que a mãe se separou do padrasto. Karla percebeu que a situação se repetia com irmãos mais novos.

Caso S. No caso envolvendo o americano David Goldman, pai de S., adotado pelo padrasto brasileiro, com apoio dos avós maternos, a alienação parental foi apontada pela perícia forense como determinante na decisão da criança em não querer voltar para o pai. "Foi um caso público que ajudou a jogar luz sobre a discussão", diz o juiz trabalhista Elízio Luiz Peres. Peres é autor do anteprojeto que serviu de base para a nova lei.

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