Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Aeroporto de Guarulhos terá trem entre terminais de passageiros e linha da CPTM

Transporte será gratuito e terá capacidade para 2 mil passageiros por hora; obras serão iniciadas em setembro e deverão ficar prontas até maio de 2021

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 18h51
Atualizado 29 de maio de 2019 | 15h08

A concessionária GRU Airport, que opera o Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, construirá um trem tipo monotrilho para conectar o aeroporto e a Linha 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O anúncio foi feito nesta terça-feira, 28, pelo governador João Doria (PSDB), na presença do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. Hoje, a ligação é por ônibus.

Doria vinha intermediando o diálogo entre a GRU e a União para a execução da obra desde que assumiu o cargo, uma vez que o Estado não tem atribuição para fazer a obra na área federal. O acordo prevê que a GRU executará a obra em troca do abatimento dos custos na parcela anual de outorga que paga para a União, que é de cerca de R$ 870 milhões. O valor estimado com os serviços é de R$ 175 milhões. A operação tem um gasto estimado em até R$ 70 milhões ao ano. 

“Quando a gente faz as contas, vale muito a pena. O recurso da outorga vai para o Fundo Nacional da Aviação Civil, que está superavitário, dando conta da demanda de investimento nos aeroportos regionais, e nos permite fazer esse investimento, que no final se reverte em valorização do equipamento que nos temos (o aeroporto)”, disse o ministro Freitas. 

O diretor presidente da GRU, Gustavo Figueiredo, afirmou que, em um primeiro momento, “não era obrigação da concessão” a construção do transporte, mas que a obra estará equacionada com outros investimentos planejados pela GRU, como a ampliação dos terminais. “Temos um grupo de trabalho formado por especialistas da CPTM que estão nos ajudando bastante nesse processo”, afirmou. A controladora da GRU, a Invepar, também controla empresas que operam ramais de metrô e VLT no Rio. 

Obras

O modelo exato do monotrilho não está definido. O que foi anunciado é que serão dois trens, com dois ou três vagões cada, que farão a ligação da Estação Aeroporto com os terminais 1, 2 e 3, em um percurso de 2,6 quilômetros. O embarque será gratuito. O tempo entre a estação e o terminai 3, o internacional, será de até 6 minutos, segundo Doria. A capacidade é de 2 mil passageiros por hora em cada sentido. É uma versão menor do que os monotrilhos da cidade, cuja capacidade supera os 40 mil passageiros.

“As obras terão o início em setembro”, disse o governador, e devem durar até maio de 2021. A GRU tem um grupo de trabalho com técnicos da CPTM para definir os detalhes da construção. “O tempo de viagem da Luz até o terminal 3 será de 46 minutos”, completou Doria. Ao término da concessão da GRU, em 2032, os trens terão a propriedade transferida para a União. O traçado da obra é inteiro no terreno do aeroporto, que também é federal. Assim, não serão necessárias desapropriações. 

Trens

Em 2019, Cumbica vem tendo uma média de 3,5 milhões de passageiros por mês, que usam 22 mil voos mensais. Na Linha 13 da CPTM, há média de 270 mil usuários – 168 mil usam a Estação Aeroporto. 

Na coletiva em que o projeto foi anunciado, o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, anunciou que os oito trens especiais para a linha, com bagageiro para malas, começam a chegar a partir de agosto. Eles foram comprados ainda na gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

Baldy prometeu que, ainda neste ano, apresentará soluções para aumentar o número de viagens do aeroporto até as Estações Brás e Luz, onde há conexões com o metrô. Atualmente, essa ligação só ocorre em horários especiais e, no caso da ligação com a Luz, há cobrança de tarifa extra. As partidas rotineiras, a cada 15 minutos, ligam a linha do aeroporto com outro ramal da CPTM, e a viagem até o centro da cidade supera o tempo de uma hora e meia.





 

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