Aeroporto de Cumbica terá novo heliporto

Infraero quer obra pronta em um ano e já definiu área próxima da base da FAB

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

O Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, terá um novo heliporto. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) abriu licitação para contratar a empresa que vai elaborar o projeto e quer a obra pronta em um ano. O local já foi definido: será no "Setor 1" do aeroporto, antes do Terminal de Cargas, próximo à base da Força Aérea Brasileira e da "área dos hotéis" (onde hoje há apenas um hotel).

Para a Infraero, a mudança é urgente: o terreno atual do heliporto, de 22.470 metros quadrados, precisa ser desapropriado para a construção do terceiro terminal de passageiros, que tem custo estimado em R$ 700 milhões e será concedido à iniciativa privada. O Terminal 3 não deve ficar pronto antes da Copa de 2014 e um "puxadinho" - módulo provisório para receber passageiros - fará as vezes de terminal enquanto o definitivo não sai.

Projeto antigo. O novo heliporto é um projeto antigo da Infraero, que, segundo pilotos, pelo menos desde 2006 aguardava uma grande reforma estrutural em Cumbica para sair do papel. O grande problema do atual terreno é que, para fazer a aterrissagem, os helicópteros têm de atravessar as pistas de pouso do aeroporto, dividindo o espaço aéreo com os aviões.

"Do jeito que é hoje, precisamos das duas pistas livres de pouso ou decolagem de aviões para poder atravessar. Isso implica mais tempo de voo e mais gasto para o passageiro", explica o presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), comandante Rodrigo Duarte. Uma hora no ar a bordo de um helicóptero pode custar entre R$ 650 e R$ 18 mil, dependendo do tamanho da aeronave.

Se comparado a "hubs" de helicópteros como o Campo de Marte, na zona norte, e Congonhas, na zona sul de São Paulo, Cumbica ainda tem um movimento pequeno, mas que está crescendo ano a ano. O diferencial em relação aos outros dois é o tipo de passageiro de helicóptero que recebe.

"Lá não tem hangar, mas é um ponto muito importante para os passageiros do próprio aeroporto que precisam fugir do trânsito da Via Dutra ou da Marginal do Tietê. É ponto de chegada e saída da cidade e precisa de um heliporto mais expressivo", explica o vice-presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Ricardo Nogueira.

Particulares. Segundo a Infraero, os helicópteros particulares são responsáveis por 74,7% do movimento de Cumbica, ante 23,7% de táxi aéreo e 1,6% de uso militar. A empresa ainda não confirma o tamanho do novo heliporto e aguarda a conclusão do projeto executivo para apresentar um orçamento da obra.

PARA LEMBRAR

Campo de Marte lidera ranking

O heliporto de Cumbica recebe uma média de 26 operações por dia - um aumento de 52% em relação a 2009, quando recebia 17 pousos e decolagens diariamente.

Congonhas tem o dobro do movimento: lá são 55 pousos e decolagens diários, em média, e os pilotos têm a opção dos hangares das companhias de táxi aéreo para pousar, além da área de heliporto. O Campo de Marte, dedicado exclusivamente à aviação geral, recebe 250 movimentações de helicópteros por dia.

O movimento fez o prefeito Gilberto Kassab (sem partido) cogitar no ano passado o funcionamento de pontos durante a madrugada, o que a lei atual veta. O prefeito disse que a liberação beneficiaria apenas os heliportos - de uso coletivo, com estrutura parecida à de aeroportos - do Jaguaré e do Campo de Marte.

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