Aeroporto de Congonhas não abre de manhã

Com o acidente, discussão sobre viabilidade do aeroporto ganha força

18 de julho de 2007 | 02h17

O aeroporto de Congonhas, que foi fechado logo após o acidente com o vôo 3054 da TAM, não vai reabrir às seis horas desta quarta-feira, 17. Ele só voltará a funcionar depois que a vistoria na pista estiver completa, afirma a Aeronáutica. Veja também:O local do acidenteOs piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320Galeria de fotos">Tudo sobre o acidente da TAM Com o acidente, a discussão sobre a viabilidade do aeroporto de Congonhas ganha força. Especialistas em segurança de vôo, consultores em aviação, políticos, moradores vizinhos a aeroporto já vinham avisando sobre os riscos de um acidente. A tragédia anunciada sob chuva foi alvo de sucessivas advertências do Ministério Público Federal (MPF). Em janeiro, procuradores da República foram à Justiça para obrigar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Infraero a executarem a imediata interdição da pista principal do aeroporto, que, em 2005, registrou 228 mil operações de pousos e decolagens - índice muito superior ao indicado pela Organização de Aviação Civil Internacional, que é de 195 mil/ano. Na terça-feira, por meio do procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, o Ministério Público Estadual (MPE) designou o promotor João Honório de Souza Franco, do Fórum Regional do Jabaquara, para acompanhar as investigações do caso. Os procuradores federais devem se manifestar ainda nesta quarta-feira. Eles vão aguardar informações oficiais sobre as causas do choque do Airbus para depois decidir como proceder. Na ação judicial, o Ministério Público Federal pedia suspensão de todas as operações até conclusão da reforma da pista, "que coloca em risco a vida de passageiros, tripulantes e moradores do entorno do aeroporto em virtude de constante derrapagens causadas por um sistema de drenagem ineficiente da pista". Ainda segundo o MPF, "a própria Infraero admite as deficiências existentes na pista principal de Congonhas, quais sejam nível de atrito insatisfatório, escoamento superficial da água prejudicado gerando lâmina d’água face à deficiência nas declividades transversais e longitudinais da pista". O relator da CPI do Apagão Aéreo do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), afirmou na terça-feira, 17, que o acidente em Congonhas é reflexo da crise da infra-estrutura dos aeroportos brasileiros. Mas nem Demóstenes nem o relator da comissão de inquérito instalada na Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), quiseram fazer avaliações sobre as causas do acidente. Ao lamentar o acidente, Demóstenes também argumentou que o tráfego no aeroporto de Congonhas está "esgotado" e que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) permitiu um número excessivo de pousos e decolagens. "O sistema aéreo brasileiro está falido, em pane". "Congonhas é o pior aeroporto em termos de saturação". Para o agente de segurança de vôo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Carlos Camacho, o acidente com o Airbus A320 da TAM foi causado pela falta de ranhuras transversais na pista principal do Aeroporto de Congonhas, reaberta no dia 29 de junho. As Ranhuras, chamadas de grooving, são necessárias para o escoamento de água e só podem ser feitas no concreto da pista um mês depois de ela ficar pronta. Isso porque é necessário que o concreto se consolide para que as máquinas possam executar o serviço. A presidente da Associação dos Moradores de Moema, advogada Lygia Horta, fala dos riscos desde 1987. "Infelizmente, no fundo, sabíamos que isso podia acontecer a qualquer momento. Falo isso desde 1987. Pensei isso outro dia mesmo: será que é preciso uma tragédia para as autoridades perceberem o óbvio?". Sandra Ássali, presidente do grupo Parentes e Amigos de Vítimas de Acidente Aéreos, culpa a pista de Congonhas. "As autoridades estão fazendo vista grossa com os problemas do aeroporto. Ninguém investe e, mesmo assim, permitem o pouso de aeronaves grandes, que não têm condições de pousar com segurança." Sandra passou pela mesma situação em 1996. Seu marido, o médico José Abu Ássali, foi um dos mortos do acidente com o avião Fokker 100 da TAM.  Novo aeroporto O pesquisador Ivan Sant'Anna, estudioso de acidentes aéreos, disse na terça-feira, 17, ao comentar o acidente do Airbus da TAM, que o aeroporto de Congonhas está "condenado". Segundo Sant'Anna, que é autor de livros sobre o tema e falou à rádio Eldorado, o aeroporto da capital paulista deveria ser fechado em dias de chuvas. "A situação é dramática", afirmou o pesquisador, para quem o forte crescimento do tráfego aéreo nos últimos torna mais urgente uma solução para o pouso de aeronaves em São Paulo. A saída, em sua avaliação, deve passar pela construção de um novo aeroporto fora da área urbana da capital. Um novo aeroporto dificilmente ficará pronto antes de seis ou sete anos. Por isto, no curto prazo, a saída seria fechar Congonhas em dias de chuva e direcionar o tráfego aéreo para outros aeroportos próximos de São Paulo. Ele também defende que o número de vôos seja reduzido para diminuir o risco de acidentes. "A aviação está crescendo muito e Congonhas está muito congestionado; é um aeroporto muito pequeno para o porte da cidade", comentou.   

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