Aeronáutica não fechará espaço aéreo para reconstituição

Segundo o Cecomsaer, pedido da polícia não se enquadra em situações para alteração das instruções de vôo

Camilla Rigi, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2008 | 17h51

A Aeronáutica anunciou nesta quinta-feira, 24, que o espaço aéreo que circunda em até 1,5 km a região onde acontecerá a reconstituição da morte de Isabella de Oliveira Nardoni não será fechado, como havia pedido o delegado Calixto Calil Filho, que preside as investigações sobre o crime. VEJA TAMBÉMPolícia também investiga avô de meninaFotos do apartamento onde ocorreu o crime  Cronologia e perguntas sem resposta do caso  Tudo o que foi publicado sobre o caso Isabella  A medida havia sido solicitada  ao Serviço Regional de Proteção ao Vôo para evitar a aproximação de helicópteros de emissoras de rádio e televisão durante a reconstituição, marcada para começar às 9 horas de domingo. A restrição começaria duas horas antes da reconstituição e terminaria duas horas depois, na região do edifício onde mora o casal Alexandre Alves Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, na zona norte de São Paulo. Segundo Centro de Comunicação da Aeronáutica (Cecomsaer), o pedido não se enquadra em nenhuma das 28 situações previstas para a emissão de um comunicado oficial que altere a circulação de aeronaves no espaço aéreo. Essas situações estão previstas no documento chamado Instruções do Comando Aeronáutico (ICA) 53-1. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foi encarregada de interditar a Rua Santa Leocádia para impedir a aglomeração de curiosos. A idéia é manter a população a pelo menos 50 metros do prédio, assim como foi feito na frente da sede do 9º DP durante o último depoimento do casal, no dia 18.Outra preocupação da polícia é com os moradores do Edifício London. O Grupo de Operações Especiais (GOE) vai reunir-se com o síndico do prédio para estabelecer as regras da reconstituição. Quem decidir sair de casa não poderá voltar até o fim dos trabalhos. Moradores que resolverem permanecer em seus apartamentos terão de ficar dentro de casa. A polícia cogitou evacuar o edifício durante a reconstituição, após o vazamento de imagens do interior do apartamento dos Nardoni, feitas por um morador. Colaboração A reconstituição acontecerá às 9 horas de domingo, mesmo que o casal Alexandre Alves Nardoni, de 29 anos, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 24, se recuse a colaborar com os peritos do Instituto de Criminalística (IC). Eles terão de comparecer, mas não são obrigados a participar da encenação da morte da criança. Os dois foram indiciados na semana passada por homicídio doloso triplamente qualificado - são acusados de espancar, asfixiar e arremessar Isabella do 6º andar Edifício Residencial London. A reconstituição deve levar dez horas.Na quarta-feira, 23, peritos do IC e delegados do 9° Distrito Policial (Carandiru) começaram a planejar o que chamam de "reprodução simulada dos fatos". O principal objetivo é reproduzir passo-a-passo a versão apresentada pelo casal, desde a chegada ao prédio até o momento em que Isabella foi socorrida pelo serviço de resgate do Corpo de Bombeiros. Serão confrontados os resultados dos exames periciais com as declarações de testemunhas e indiciados. A polícia quer saber se haveria tempo hábil para uma terceira pessoa ter cometido o crime sem ser visto por Alexandre ou Anna Carolina. A perícia revelou que entre o desligamento do aparelho GPS do Ford Ka do casal e a primeira ligação para os bombeiros se passaram 13 minutos e 46 segundos.Todos serão ouvidos separadamente. Embora as atenções estejam voltadas para o casal, pouco mais de dez testemunhas serão intimadas a participar da reconstituição. Alguns nomes são dados como certos - o pai de Alexandre, o advogado Antonio Nardoni, e a irmã dele, Cristiane. Moradores do Edifício London e de imóveis vizinhos também contarão o que viram o ouviram naquela noite. O porteiro do prédio, primeiro a ver o corpo de Isabella estendido no gramado, e os homens do resgate darão detalhes sobre a posição em que a menina foi encontrada e o socorro à vítima.  

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