Aeronáutica ainda não finalizou relatório sobre o vôo 3054

Em investigação tocada pela polícia de São Paulo, erro no posicionamento de manete foi preponderante

José Dacauaziliquá, Jornal da Tarde

17 de julho de 2008 | 07h51

Um ano depois do maior acidente aéreo do País, com Airbus A320 da TAM que deixou 199 mortos, as investigações sobre a maior tragédia da aviação nacional já foram concluídas. A informação partiu do chefe do Centro de Investigação e Prevenção a Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), brigadeiro Jorge Kersul Filho, e teria sido dada ao presidente da da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do vôo JJ-3054 (Afavitam), Dario Scott.   Veja também Um ano após tragédia, aviação vive 'calamidade silenciosa' Vôo 3054: o que se sabe um ano depois  As histórias por trás das vítimas do vôo 3054  Tudo sobre o acidente com o vôo 3054    "Conversei por telefone com o brigadeiro Kersul. Ele me contou que agora só faltam os trâmites burocráticos como a tradução para o inglês e francês, envio do documento a outros países envolvidos de alguma forma com o acidente", disse Scott, presidente da Afavitam. "Os órgãos internacionais ainda podem opinar sobre o relatório. Depois, ele (documento) retorna e serão coletadas as assinaturas das autoridades para que o conteúdo seja divulgado", completou.   A assessoria do Cenipa informou que "a investigação do acidente com o vôo JJ-3054 está na fase de conclusões, em transição para a fase de confecção do relatório final.   A responsabilidade da Anac está no fato de ter deixado de aplicar as regras estabelecidas numa norma de janeiro de 2007, que tratava sobre a operação em Congonhas em caso de pista molhada e vetava o pouso de aviões com o reverso travado. "Se isso tivesse sido aplicado, o acidente poderia ter sido evitado", atesta o perito Antonio de Carvalho Nogueira Neto, do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo.   Pelo menos sete pessoas ligadas à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e à TAM deverão ser responsabilizadas pelo acidente com o Airbus A320 em Congonhas, que varou a pista, matando 199 pessoas. Os nomes dos envolvidos são mantidos sob sigilo e só serão divulgados quando o inquérito for concluído, entre agosto e outubro. Eles podem ser denunciados à Justiça por homicídio culposo (sem intenção) e lesão corporal culposa, com pena de 1 ano e meio a 4 anos de detenção.   Segundo o promotor Mário Luiz Sarrubbo, representante do Ministério Público (MP) nas investigações, as evidências apontam a responsabilidade da TAM, Infraero e Anac. A pista escorregadia e o pouso com um dos reversos (freio aerodinâmico) travado podem ter contribuído para que o piloto cometesse um erro no posicionamento da manete na aterrissagem.   A Infraero liberou as pistas do aeroporto em 29 de junho de 2007 após reforma sem o chamado grooving (ranhuras que ajudam no escoamento da água). A TAM deve ser responsabilizada por ter deixado de treinar a tripulação para aquele tipo de situação de emergência. "Além de relatos de pilotos da TAM que reclamavam das condições da pista e mesmo assim a empresa continuou a operar em Congonhas", disse o promotor.   Com relação à Airbus, o promotor afirma que não tem "elementos suficientes" para responsabilizar a empresa fabricante do avião, mas garante que não vai desistir. "Outros acidentes iguais ao da TAM já tinham ocorrido em outros países e a fabricante não fez o ‘recall’ do alarme sobre a posição das manetes", afirmou. "Optaram pela solução mais simples e barata. A Airbus distribuiu uma circular recomendando que as duas manetes deveriam ser colocadas para trás mesmo em caso de reverso travado e esperaram 199 mortos para instalar o alarme", disse Sarrubbo.

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