Advogados querem paralisar caso Gil Rugai

Com base em denúncia de procurador, defensores pedem que sejam investigadas supostas irregularidades cometidas por juiz e promotora no processo

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2011 | 03h03

Os advogados de Gil Rugai, Marcelo Feller e Thiago Gomes Anastácio, entraram na Justiça com pedido de paralisação da ação penal em que o estudante é acusado de duplo homicídio. No requerimento, pedem que sejam investigadas supostas irregularidades cometidas ao longo do processo pelo juiz Cassiano Ricardo Zorzi Rocha e pela promotora Mildred de Assis Gonzales.

Rugai é acusado de matar o pai, Luiz Carlos Rugai, e a madrasta, Alessandra de Fátima Troitino, em 28 de março de 2004. O julgamento, que estava marcado para segunda-feira passada, já havia sido adiado a pedido do Ministério Público Estadual (MPE), depois que a defesa contestou trabalhos de peritos.

Na nova petição, defensores apresentam à Justiça uma denúncia escrita e assinada pelo procurador criminal Marcos Hideki Ihara. O procurador afirma que o juiz Zorzi Rocha continuou mandando no Tribunal do Júri de Pinheiros, onde corre o caso de Rugai, mesmo depois de ser transferido para a segunda instância.

Segundo o procurador, os supostos desmandos de Zorzi Rocha beneficiavam a promotora do caso, Mildred de Assis Gonzales. Caso as acusações sejam confirmadas pelas corregedorias, o processo do estudante Gil Rugai pode voltar à estaca zero.

Além de passar a denúncia à defesa de Rugai, Ihara também afirmou aos defensores que encaminhou o caso às Corregedorias do MPE e do Tribunal de Justiça (TJ). Procurados pelo Estado, a promotora Mildred de Assis Gonzales informou, por meio de nota, que "qualquer problema funcional atribuído a minha pessoa será respondido perante a Corregedoria". Já a assessoria do TJ afirmou que "os procedimentos de investigação da Corregedoria correm em sigilo".

Os advogados de defesa de Rugai disseram ontem que somente apresentaram informações à Justiça e preferem não se posicionar sobre as alegações do procurador. "Esse problema é entre o MP e a Magistratura e só passará a ser nosso problema, e sério, caso as informações sejam confirmadas", afirma Anastácio.

O promotor Rogério Zagallo, que passou a atuar depois que Mildred deixou o caso, afirmou ver com tristeza a atitude da defesa. "É uma estratégia antiga e conhecida. Em vez de discutir o mérito do caso, se Gil Rugai matou ou não o pai e a madrasta, passa-se a desqualificar o adversário. Essa vem sendo a estratégia da defesa, o que acho uma pena."

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