Advogado quer entrar em programa do governo federal

Nas escadarias de mármore branco do antigo Cine Marrocos, o advogado Douglas Gomes, de 35 anos, orienta duas jovens com crianças de colo a pedir o exame de DNA de seus ex-maridos. Ele é o mentor jurídico do Movimento dos Sem Teto do Sacomã (MSTS). Em menos de 9 meses desde sua fundação, a entidade já comanda sete ocupações no centro. Nelas moram 996 famílias que pagam mensalidade de R$ 200.

O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2014 | 02h01

"Nós estamos buscando credenciamento do governo federal para construir obras do Minha Casa Minha Vida", afirma Gomes sobre o objetivo do movimento. "Precisamos de uma aliança política com os governos, para conseguir parcerias", emenda o advogado.

O MSTS tem sido um dos protagonistas das manifestações de sem-teto que pararam a cidade nos últimos três meses. Todos os moradores de suas sete ocupações são obrigados a participar dos protestos, com a camisa da entidade, que custa R$ 15. Quem ajuda Gomes a coordenar as famílias é a líder sem-teto Dalva Silva, de 42 anos. O presidente é Robson Santos, filiado ao PT há mais de 20 anos.

"O governo municipal já disse que as invasões com menos de um ano não vão virar moradia. Não vamos poder ficar aqui no Cine Marrocos", diz o advogado, ciente da situação do edifício, desapropriado em 2012 para virar sede da Secretaria Municipal de Educação. Sobre as mensalidades de R$ 200, ele diz que o valor cobre apenas os custos da ocupação.

Pelos corredores foram instaladas câmeras de segurança - um circuito interno de TV é monitorado por um funcionário contratado pelo movimento. "Muito condomínio não tem essa estrutura", afirma Gomes. / D.Z.

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