Advogado nega que 2º réu do caso Mércia tenha sido torturado

Segundo testemunha do julgamento do vigia Evandro Bezerra Silva, não houve nada de errado na investigação

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h02

No primeiro dia do júri do vigia Evandro Bezerra Silva, acusado de participar do assassinato da advogada Mércia Nakashima em 2010, o advogado Arles Gonçalves, integrante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), disse que o vigia não foi torturado em seu depoimento à polícia, o que poderia colocar em xeque legitimidade do interrogatório.

O advogado foi a primeira testemunha ouvida pela acusação no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. "Na minha frente, Evandro nunca disse que foi torturado. Se ele tivesse falado, eu teria tomado providências na hora", relatou à juíza Maria Gabriela Riscale Tojeira, responsável por presidir o júri. O corpo de jurados, definido por sorteio no início do julgamento, é composto por quatro homens e três mulheres.

O segundo a depor foi o engenheiro de telecomunicações Eduardo Amato Tolezani. Ele contou como as chamadas de celular feitas por Evandro permitiram localizar seu paradeiro no dia do crime.

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Evandro deu carona ao ex-PM Mizael Bispo de Souza, namorado da vítima, que foi condenado a 20 anos de prisão em março, após protagonizar o primeiro júri televisionado do Estado.

Evandro compareceu ao plenário de terno e gravata, evitando aparecer com o uniforme do sistema prisional. Ele é representado por três advogados e três assistentes de defesa. Apesar do pedido dos defensores, a Justiça negou a transmissão de imagens ao vivo do julgamento - segundo funcionários do tribunal, também houve menos interesse das redes de TV.

O vigia, preso na Penitenciária 2 de Tremembé, alega inocência. Segundo o MPE, se condenado, ele deverá ter pena menor, pois apenas sabia do plano de Mizael e o ajudou a fugir. O promotor Rodrigo Merli quer mostrar, no entanto, que o réu "não é um bom moço", e que sua participação no crime não foi tão indireta quanto diz a defesa. O advogado Alexandre de Sá Domingues é o assistente de Merli na acusação.

Revelação. O advogado de Evandro, Aryldo de Oliveira, afirma que vai apresentar "uma bomba" no plenário. Ele não adiantou do que se trata, mas falou que será uma revelação sobre Mércia. Entre as testemunhas, foram arroladas quatro de defesa, quatro de acusação e duas de juízo (convocadas pela juíza).

O delegado Antonio de Olim, responsável pelas investigações na época, foi convocado tanto pela defesa quanto pela acusação.

Entre as testemunhas de defesa, estão o delegado Olim, Josefa Mariana dos Santos, ex-mulher de Evandro, Luiz Araújo Sobrinho, feirante amigo de Evandro, e Márcio Nakashima, irmão de Mércia.

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