Advogado diz que agressores de militante gay estão arrependidos

Pinheiros terá protesto com "churrascão" e "beijaço"; MP enquadra caso como agressão e revolta vítima de ataque

JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

08 de dezembro de 2012 | 02h01

Os agressores do estudante da Direito da USP André Baliera, de 27 anos, que alega ter sido vítima de homofobia na segunda-feira, em Pinheiros, estão arrependidos, segundo o advogado deles, Joel Cordaro. "Eles se arrependeram assim que viram o André com a faixa na cabeça no dia da agressão. Acredito que, assim como o Diego está arrependido, a vítima também deve estar arrependida por ter criado toda essa confusão."

Presos em flagrante, o estudante Bruno Portieri, de 25 anos, e o personal trainer Diego Mosca, de 29, não tiveram o pedido de liberdade provisória apreciado e continuarão detidos no fim de semana.

O advogado afirma que o que motivou a agressão não foi homofobia e os dois foram provocados. A versão de André, no entanto, foi confirmada por outras três pessoas que testemunharam a agressão.

Os dois serão processados pela Secretaria de Estado de a Justiça e Cidadania de São Paulo. A denúncia será apresentada pelo Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura. Posicionamento do Ministério Público, porém, deixou Baliera "perplexo" na noite de ontem: enquadrou o caso como agressão e não como tentativa de homicídio - de acordo com inquérito aberto pela polícia. Isso elimina a chance de júri.

"Eu não esperava essa conduta, estou sem norte. Este caso poderia ser paradigmático, que mudasse como a sociedade encara a homofobia", disse, citando a Lei Maria da Penha como exemplo de avanço na legislação brasileira (que não prevê homofobia como crime). "Não podemos deixar isso ser banalizado."

Protesto. Um "beijaço" e um "churrascão" vão ocorrer hoje em Pinheiros, como protesto ao ataque. O "beijaço" - em que um grupo de pessoas se beija ao mesmo tempo - está marcado para as 11h na Praça Benedito Calixto. A praça fica a poucos metros de onde André foi agredido, na Avenida Henrique Schaumann.

Para Lucas Bulgarelli, do coletivo Canto Geral, o protesto é uma "boa oportunidade para mostrar à sociedade que a comunidade gay está mobilizada".

Às 15h, ocorre o "Churrascão das Cabras", exatamente no local onde Baliera foi agredido, na altura do 630 da avenida. Na página do evento no Facebook, mais de 2 mil pessoas já haviam confirmado presença até a noite de ontem. / COLABOROU DENIZE GUEDES

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