Paulo Liebert/Estadão
Paulo Liebert/Estadão

Advogado diz que agressores de militante gay estão arrependidos

'Beijaço' e 'churrascão' vão protestar neste sábado em Pinheiros contra ataque a estudante da USP na Henrique Schaumann

Juliana Deodoro, de O Estado de S. Paulo,

07 de dezembro de 2012 | 23h13

SÃO PAULO - Os agressores do estudante da Direito da USP André Baliera, de 27 anos, que alega ter sido vítima de homofobia na segunda-feira, em Pinheiros, estão arrependidos, segundo o advogado deles, Joel Cordaro. “Eles se arrependeram assim que viram o André com a faixa na cabeça no dia da agressão. Acredito que, assim como o Diego está arrependido, a vítima também deve estar arrependida por ter criado toda essa confusão.” 

 

Presos em flagrante, o estudante Bruno Portieri, de 25 anos, e o personal trainer Diego Mosca, de 29, não tiveram o pedido de liberdade provisória apreciado e continuarão detidos no fim de semana.

O advogado afirma que o que motivou a agressão não foi homofobia e os dois foram provocados. A versão de André, no entanto, foi confirmada por outras três pessoas que testemunharam a agressão.

 

Além de responderem por tentativa de homicídio, os dois serão processados pela Secretaria de Estado de a Justiça e Cidadania de São Paulo. A denúncia será apresentada pelo Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura. Caso sejam condenados, terão de pagar multa entre R$18 mil e R$ 54 mil. 

 

Protesto. Um “beijaço” e um “churrascão” vão ocorrer hoje em Pinheiros, como forma de protesto ao ataque sofrido pelo estudante. O beijaço - protesto bem-humorado em que um grupo de pessoas se beija ao mesmo tempo - está marcado para as 11h na Praça Benedito Calixto. Uma oficina de cartazes e a entrega de panfletos também acontecem no local. A praça fica a poucos metros de onde André foi agredido, na Henrique Schaumann com a Rua Teodoro Sampaio. 

 

Para Lucas Bulgarelli, do coletivo Canto Geral, o protesto é uma boa oportunidade para mostrar à sociedade que a comunidade gay está mobilizada. “A Benedito Calixto fica lotada aos sábados”, diz.

 

A programação não se encerra no beijaço. Às 15 horas, acontece ainda o Churrascão das Cabras, exatamente no local onde André foi agredido, na altura do número 630 da Henrique Schaumann. Na página do evento no Facebook, os organizadores convidam todos a fazer “churrasquinho do ódio contra homossexuais”. Até ontem à noite, mais de 2 mil pessoas já haviam confirmado presença no evento na rede social.

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