Advogado deixa caso após vídeo de agressão

Imagens contradizem versão de acusados de crime na Avenida Paulista; delegado afirma que eles devem ser indiciados por tentativa de homicídio

Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2010 | 00h00

Os cinco jovens de classe média que espancaram três pessoas na Avenida Paulista, região central, no domingo, poderão responder por tentativa de homicídio - crime mais grave que lesão corporal, pelo qual já são acusados. Uma testemunha disse ontem à polícia que uma das vítimas foi agredida até perder os sentidos porque, na opinião dos agressores, seria homossexual. O advogado de um dos acusados, de 16 anos, abandonou o caso.

"A agressão foi de graça, sem motivo. Acho que o rapaz poderia até ter morrido", disse o segurança Rafael Fernandes, após prestar depoimento no 5.° Distrito Policial (Aclimação), onde o caso é investigado. "Perguntei para um deles (agressores) porque estava fazendo aquilo. Ele respondeu bem seco: "Porque ele (a vítima) é "viado"", afirmou a testemunha. Fernandes presenciou o ataque ao estudante L., de 23 anos, por volta das 6h30.

"Você tem um sujeito desmaiado, ensanguentado, sem esboçar reação, sendo agredido por cinco pessoas que têm esclarecimento sociocultural razoável. Na minha opinião, se eles não quiseram matar, eles assumiram o risco", avaliou o delegado Renato Felisoni, do 5.° DP. O policial entende que o depoimento e as imagens que mostram a agressão seriam suficientes para sustentar a mudança do crime para tentativa de homicídio. O policial pretende ouvir mais duas testemunhas.

MP e Defesa. Após ver as imagens do crime, divulgadas anteontem pelo SBT, o advogado Orlando Machado, que defendia o jovem de 16 anos, decidiu abandonar o caso, pois entendeu que o garoto mentiu para ele. "Não me sinto à vontade para continuar. Perdi a confiabilidade. Os jovens disseram uma coisa para mim, para seus pais e para os outros advogados que estavam na delegacia domingo, mas as imagens mostram outra coisa", afirma Machado, que diz que chegou a ser hostilizado na rua.

O depoimento que os jovens deram na delegacia indicava outra história. Eles disseram que ficaram das 23 horas de sábado até as 6 horas de domingo em uma casa noturna na Avenida Ibirapuera, zona sul. Depois de sair do local, o grupo pegou um ônibus na Avenida 9 de Julho e desceu na Paulista. No percurso, eles teriam sido chamados de "gracinhas" por três rapazes - o que teria motivado o confronto.

Ontem, o Ministério Público (MP), mais precisamente o Promotor da Vara da Infância e Juventude Tales Cezar de Oliveira, solicitou à polícia as imagens da câmera de segurança de um prédio da Avenida Paulista que mostram L. sendo atingido duas vezes por bastões de lâmpada fluorescente. Por meio de nota, a Promotoria de Justiça da Infância e Juventude informou que "adotará as medidas processuais e judiciais que o caso requer".

Os quatro menores vão responder por ato infracional. O quinto acusado, de 19 anos, foi indiciado por lesão corporal gravíssima e formação de quadrilha e está preso no 2.º DP.

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