Advogado de PMs do Carandiru diz que não pretende abandonar plenário

Após deixar sessão na etapa anterior, Celso Vendramini disse que quer seguir 4ª fase do júri até o fim; doze PMs acusados de dez mortes estão no banco dos réus

Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

17 Março 2014 | 11h20

Atualizado às 12h55

SÃO PAULO - O advogado dos policiais envolvidos no massacre do Carandiru, Celso Vendramini, disse que não pretende deixar o plenário na quarta etapa do julgamento, iniciada nesta segunda-feira, 17, no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. O defensor, que se ausentou na terceira fase do júri, representa desta vez doze policiais da do Grupo de Operações Táticas especiais (Gate), julgados pela morte de dez detentos e pela tentativa de homicídio de outros três no quarto andar do Pavilhão 9 da extinta Casa de Detenção.

Presidida pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, a quarto júri do caso começou às 10h30 e a expectativa é de dure até a madrugada de sábado. Segundo o Ministério Público, três sobreviventes do massacre serão as testemunhas de acusação.

O corpo de jurados foi decidido às 12h10: serão três mulheres e quatro homens. Antes do sorteio, três jurados foram dispensados pela promotoria, um pela defesa e um por motivos médicos.  A audiência foi interrompida para almoço por uma hora e será retomada às 13h30.

Celso Vendramini voltará a defender os policiais militares acusados do massacre, mesmo depois de receber multa no valor de 70 salários mínimos (cerca de R$ 50 mil) por ter abandonado o plenário na fase anterior. "Hoje estou aqui com muita calma e tranquilidade. Pretendo chegar até o fim do julgamento. Mesmo sem localizar algumas testemunhas pretendo colocar um ponto final nessa via crucis", disse.

Vendramini disse que a multa por ele ter abandonado ainda não foi paga e afirmou que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) irá recorrer da punição. " A OAB entrou com um mandado de segurança. Vamos ver o que o desembargador vai decidir, mas a multa é inviável."

O júri anterior foi dissolvido no dia 18 de fevereiro. Na ocasião, Vendramini abandonou a sessão alegando que o juiz estava favorecendo o Ministério Público (MP) durante o interrogatório de um réu por parte dos promotores. O julgamento da terceira etapa, na qual 15 PMs são acusados de 8 homicídios no 4° pavimento (terceiro andar), foi remarcado para o dia 31 de março.

Entenda. O Massacre do Carandiru aconteceu no dia 2 de outubro de 1992, quando 111 detentos foram mortos e 87 ficaram feridos durante invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9, na zona norte de São Paulo.

Por envolver grande número de réus e de vítimas, o júri foi desmembrado em quatro etapas, de acordo com o que aconteceu em cada um dos pavimentos do pavilhão.

Na primeira etapa do julgamento, em abril do ano passado, 23 policiais foram condenados a 156 anos de prisão pela morte de 13 detentos. Em agosto, na segunda etapa, 25 PMs foram condenados a 624 anos de reclusão pela morte de 52 presos.

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