Advogado de PMs diz que promotor deve agradecer pelos bandidos que ele matou

Primeira fase de debates termina após as falas de acusação e defesa. Julgamento foi suspenso e será retomado nesta quarta-feira, 19

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

18 Março 2014 | 19h35

SÃO PAULO - Ex-policial da Rota, o advogado dos réus do quarto andar do Pavilhão 9 do Carandiru, Celso Vendramine, disse aos jurados nesta terça-feira, 18, que matou "muitos bandidos em legítima defesa". Vendramine, que trabalhou no 1.° Batalhão de Choque na década de 1980 antes de se tornar criminalista, afirmou ainda a um dos promotores: "Dê graças a Deus pelos bandidos que matei".

A primeira fase de debates terminou por volta das 18 horas, após as falas de acusação e defesa, que fizeram sua exposição aos jurados por duas horas e meia cada uma. Agora, o julgamento entrará na fase de réplica e tréplica, em que cada parte poderá apresentar seus argumentos por até duas horas. Como o juiz Rodrigo Tellini está com infecção de garganta o julgamento foi suspenso, por recomendação médica, e será retomado nesta quarta-feira, 19.

Diante dos jurados, a defesa procurou mostrar que os dez PMs acusados pelos crimes ocorridos no quarto andar estavam, na verdade, no terceiro. O advogado leu depoimentos prestados no mês do massacre, em outubro de 1992, quando os réus disseram à Justiça Militar que haviam entrado apenas no terceiro andar.

A tese da defesa é de que houve negativa de autoria (os réus não praticaram os homicídios) pois estavam em outro local do Pavilhão 9. "Eles (réus) foram muito mal defendidos desde 1992", disse o advogado. "Muita coisa poderia ter sido feira em prol desses policiais."

Maranhão. O advogado também exibiu vídeos de reportagem de ação de bandidos e os corpos de presos decapitados em um presídio no Maranhão, no ano passado. "Quem não quiser, vai abaixar a cabeça", alertou o advogado.

Para sensibilizar os jurados, o defensor afirmou que como PM já foi discriminado como se fosse assassino ao longo da vida. Segundo ele, os policiais atuam para que bandidos "não entrem em nossas casas e estuprem nossas mães, nossas irmãs". "Prefiro um bandido morto a um policial ferido", afirmou.

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