Advogado de defesa é hostilizado por público

Advogado de defesa é hostilizado por público

Criminalista e equipe foram xingados por pessoas que estavam na frente do Fórum. Um chute o pegou de raspão

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2010 | 00h00

Nos primeiros dias foram apenas vaias. Depois vieram gritos e xingamentos. Ontem, no terceiro dia de julgamento do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, o que começou como manifestação popular descambou para agressão. O criminalista Roberto Podval, que coordena a defesa do casal, foi duramente hostilizado na porta do Fórum de Santana e chegou a ser atingido de raspão por um chute.

O episódio ocorreu no momento em que os advogados retornavam do almoço. Minutos antes, os avós maternos de Isabella, Rosa Cunha de Oliveira e José Arcanjo de Oliveira, foram aplaudidos pelas pessoas que se aglomeravam diante do Fórum. A avó de Isabella chegou a exibir uma tatuagem que leva no antebraço esquerdo com a inscrição "Isa", em homenagem à neta morta na noite de 29 de março de 2008.

A equipe de Podval veio em seguida. Ao se aproximarem do Fórum, começaram a ouvir gritos e xingamentos. Um homem passou a berrar quando ficou cara a cara com o criminalista, tudo sob as lentes de fotógrafos e cinegrafistas. O advogado só não ficou em pior situação porque os jornalistas que o cercavam acabaram servindo de "escudo". No meio da confusão, um jornalista caiu e um segurança se feriu levemente. Depois do tumulto, a equipe subiu para o plenário.

Fura-fila. Os ânimos também continuaram exaltados do lado de fora do Fórum. Às 16 horas, um tumulto na fila de espera por uma vaga no plenário obrigou a polícia a intervir. Debaixo do sol há mais de três horas, a dona de casa Adriana Vieira, de 31 anos, tinha na ponta de língua a explicação para tanto interesse pelo julgamento. "Eu acompanho esse caso desde o começo. Tinha de vir aqui para ver de perto", disse Adriana, que saiu cedo do Belenzinho, na zona leste, para se deslocar até o Limão, na zona norte. /

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