Advogado da OAB nega que 2º réu do caso Mércia tenta sido torturado

Júri de Evandro Bezerra Silva, acusado de ser cúmplice de Mizael na morte da advogada, em 2010, começou às 10h45 desta segunda

O Estado de S. Paulo

29 Julho 2013 | 11h07

Atualizado às 16h48

SÃO PAULO - O júri do vigia Evandro Bezerra Silva, acusado de participar do assassinato da advogada Mércia Nakashima em 2010, começou às 10h45 desta segunda-feira, 29, no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo. A primeira testemunha a ser ouvida, pela acusação, foi o advogado Arles Gonçalves, integrante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Questionado pelo promotor Rodrigo Merli, ele garantiu que o réu não foi torturado em seu depoimento à polícia, o que poderia colocar em xeque legitimidade do interrogatório.

"Na minha frente Evandro nunca disse que foi torturado. Se ele tivesse falado, eu teria tomado providências na hora", relatou à juíza Maria Gabriela Riscale Tojeira, responsável por presidir o júri. O corpo de jurados, definido por sorteio no início do julgamento, é composto por quatro homens e três mulheres.

O segundo a depor foi o engenheiro de telecomunicações Eduardo Amato Tolezani, que iniciou sua fala às 14h10. Ele deve esclarecer como as chamadas de celular feitas por Evandro permitiram localizar seu paradeiro no dia do crime.

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Evandro deu carona ao ex-PM Mizael Bispo de Souza, namorado da vítima, que foi condenado a 20 anos de prisão em março, após protagonizar o primeiro júri televisionado do Estado.

Evandro compareceu ao plenário de terno e gravata, evitando aparecer com o uniforme do sistema prisional. Ele é representado por três advogados e três assistentes de defesa. Apesar do pedido dos defensores, a Justiça negou a transmissão de imagens ao vivo do julgamento - segundo funcionários do tribunal, também houve menos interesse das redes de TV.

O vigia, preso na Penitenciária 2 de Tremembé, alega inocência. Segundo o MPE, se condenado, ele deverá ter pena menor, pois apenas sabia do plano de Mizael e o ajudou a fugir. O promotor Rodrigo Merli quer mostrar, no entanto, que o réu "não é um bom moço", e que sua participação no crime não foi tão indireta quanto diz a defesa. O advogado Alexandre de Sá Domingues é o assistente de Merli na acusação.

O advogado de Evandro, por sua vez, Aryldo de Oliveira, afirma que vai apresentar "uma bomba" no plenário. Ele não adiantou do que se trata, mas falou que será uma revelação sobre Mércia.

Júri. Os sete jurados do caso serão sorteados a partir de uma lista com 15 nomes. Entre as testemunhas, foram arroladas quatro de defesa, quatro de acusação e duas de juízo (convocadas pela juíza), cujos nomes foram mantidos em sigilo. O delegado Antonio de Olim, responsável pelas investigações na época, à frente do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), foi convocado tanto pela defesa quanto pela acusação.

As testemunhas de acusação são o delegado, o investigador Alexandre Simone, o engenheiro Eduardo Amato Tolezani, e o advogado Arles Gonçalves, integrante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Entre as testemunas de defesa, estão o delegado Olim, Josefa Mariana dos Santos, ex-mulher de Evandro, Luiz Araújo Sobrinho, feirante amigo de Evandro, e Márcio Nakashima, irmão de Mércia. De acordo com o assistente de acusação, ele foi chamado pela depois que uma outra testemunha desistiu.

A mãe de Mércia, Janete Nakashima, e outra irmã, Cláudia Nakashima, também compareceram ao julgamento.

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