TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Advogada que mandou matar professor é condenada a 20 anos em São Carlos

Professor universitário Milton Taidi Sonoda, em São Carlos, interior de São Paulo. Sonoda foi dopado e morto a facadas pela enteada, na época com 17 anos, a mando da mãe, em maio de 2016

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 23h42

SOROCABA – O tribunal do júri condenou a 20 anos de prisão a advogada Milene Estácio da Silva, acusada de participação no assassinato do marido, o professor universitário Milton Taidi Sonoda, em São Carlos, interior de São Paulo. Sonoda foi dopado e morto a facadas pela enteada, na época com 17 anos, a mando da mãe, em maio de 2016. O crime foi motivado por interesse financeiro, pois a vítima estava investindo na reforma de uma casa em outra cidade, contra o gosto da mulher.

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A sentença, lida às 23 horas desta segunda-feira, 18, condenou Milene a 17 anos pelo homicídio, dois anos por corrupção de menores e mais um ano por ocultação do cadáver. Os jurados entenderam que Milene planejou o crime e convenceu a filha a participar da execução. Foi negado a ela o direito de recorrer em liberdade. A mulher está presa na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital. O advogado de defesa, Carlos Renato Lira Buosi, entrou com recurso na tentativa de reverter a condenação.

Conforme a denúncia, antes de matar o padrasto, a jovem dopou o meio irmão, filho dele, de cinco anos, que estava na casa. Depois do assassinato, mãe e filha colocaram o corpo no carro da própria vítima, conduziram o veículo à margem de uma rodovia e atearam fogo. Conversas pelo aplicativo Whatsaap entre mãe e filha ajudaram a polícia a esclarecer o crime. 

Durante o julgamento, a advogada negou o crime e disse que ajudou apenas a ocultar o corpo do marido. Ouvida como testemunha, a filha tentou defender a mãe, alegando que matou o padrasto sozinha, com três facadas, enquanto o irmão assistia televisão no outro quatro. A jovem já foi condenada pelo ato infracional e cumpre medida socioeducativa numa unidade da Fundação Casa, no interior de São Paulo.

Na época, o crime chocou a família da vítima e a comunidade científica. Sonoda era graduado em física pela Universidade de São Carlos (USP) e dava aulas na Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba, para onde pretendia mudar-se com a família. Ele também atuava como pesquisador. O filho do casal está sob a guarda dos avós paternos. Durante o julgamento, familiares da vítima empunharam cartazes em frente ao Fórum, pedindo justiça.

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