Advogada pode ter caído na represa ao tentar escapar

Polícia não tem dúvidas de que Mércia, encontrada morta ontem em Atibainha, foi assassinada; IML identificou fratura no maxilar

Elvis Pereira e Felipe Oda, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2010 | 00h00

O corpo da advogada Mércia Mikie Nakashima, de 28 anos, desaparecida desde o dia 23 em Guarulhos, foi encontrado ontem na Represa Atibainha, em Nazaré Paulista (SP). Ele estava boiando próximo da margem oposta de onde o Honda Fit dela fora retirado no dia anterior, segundo o pescador Roberto Yamauche, de 47 anos. A polícia mantém o ex-namorado da vítima, Mizael Bispo de Souza, como principal suspeito.

Os primeiros exames realizados pelo Instituto Médico-Legal (IML) apontaram fratura no maxilar de Mércia. Aguarda-se ainda os resultados dos exames que determinarão quais lesões foram provocadas em vida. Foi colhido material para exame toxicológico, que aponta a presença de álcool ou drogas no organismo. Como o corpo ficou submerso durante dias, o exame visual foi prejudicado, mas raio X e tomografia não detectaram projéteis ou ferimentos com faca. A família esperava a liberação do corpo para a noite de ontem.

Descoberta. O pescador avistou o corpo por volta das 9h30. Em seu barco, levou o pai da advogada, Macoto Nakashima, até o local. "Ele reconheceu na hora e ficou desesperado", recorda Yamauche. Morador de um sítio próximo, ele já ajudara a polícia ao guinchar o carro de Mércia com um trator. Ali, recebeu um pedido de Macoto. "Em japonês, ele falou: "Por favor, me ajude". Hoje, acordei e pensei nisso."

Os bombeiros retiraram o corpo pouco antes do meio-dia e o encaminharam ao IML Central, na capital paulista. Mércia vestia suéter roxo, calça jeans e tênis branco - as mesmas peças de quando deixou a casa da avó, em Guarulhos, e sumiu.

Após reconhecer o corpo da irmã, Márcio Nakashima ajoelhou-se à beira da represa e começou a chorar. "O corpo dela já estava em estado de decomposição", disse o diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marco Antonio Desgualdo. Segundo o delegado Antônio Olim, responsável pela investigação, o corpo apresentava ferimentos possivelmente causados pela vegetação da margem da represa. Para ele, a advogada morreu por afogamento. A família disse que ela não sabia nadar e tinha medo de água.

Hipóteses. A polícia levantava ontem duas hipóteses de como Mércia entrou na represa. Ela teria acelerado o carro para fugir de alguém ou sido forçada. Provavelmente, estava sozinha, uma vez que a porta e o vidro do passageiro estavam fechados. Cogita-se que ela saiu do carro pelo vidro da porta do motorista e tenha pisado no teto do carro, que ficou amassado.

O ponto onde o corpo foi localizado é de difícil acesso. É necessário pegar a Estrada Cuiabá na Rodovia SP-036 e uma estrada de terra. Erma, a área conta com poucos sítios. Para a polícia, isso reforça a hipótese de que a advogada foi assassinada. E o assassino ainda precisaria de pelo menos um comparsa para deixar o local.

No fim da tarde de ontem, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Souza, em Guarulhos. Recolheu celulares, roupas, ferramentas e sapatos - um estava sujo de terra. O material será periciado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.