Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Advogada morre em atração de bufê infantil

Carro de montanha-russa saiu do trilho; Aquarela Kids não tinha licença para abrir

Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

20 Julho 2011 | 00h00

A advogada Vanessa Nespoli, de 30 anos, morreu na madrugada de domingo após um acidente em uma minimontanha-russa em um bufê no Tatuapé, na zona leste de São Paulo. O Buffet Aquarela Kids não tinha licença para funcionar, já havia sido multado três vezes e foi interditado pela Prefeitura no dia 6. Mesmo assim, funcionava normalmente.

O acidente aconteceu à 0h15 de domingo. Vanessa e o marido, Heber Carneiro de Moraes, de 31 anos, estavam em uma festa do filho de um amigo do trabalho. Eles subiram no brinquedo juntos. Segundo o administrador Ricardo Wanderson da Silva, de 36 anos, chefe da advogada, o trajeto do carrinho ocorria no escuro e era "forte e violento". "Não houve orientação sobre idade ou peso de quem podia ir (no brinquedo). Havia um operador que fechava a trava e depois ligava", disse. Ele tinha acabado de ir na montanha-russa com a filha.

De acordo com ele, a atração tinha capacidade para quatro pessoas, divididas em dois carros. No entanto, um deles estava quebrado e as pessoas iam de duas em duas, apenas em um dos vagões. No acidente, o carrinho saiu do trilho e os dois caíram de uma altura de cinco metros, o marido por cima de Vanessa.

O casal foi levado para o Hospital Municipal do Tatuapé, a cerca de 15 minutos do local do acidente. Vanessa chegou morta, mas o marido foi salvo. Os casal morava na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, mas ambos são de Cuiabá, onde a advogada foi enterrada anteontem.

Perícia. O caso foi registrado no 30.º DP (Tatuapé). Segundo o delegado José Matallo Neto, o que interessa agora é apontar a responsabilidade criminal. "Temos de achar o responsável. Pode ser o dono ou até uma empresa que tenha alugado o equipamento." A Polícia Civil já realizou perícia no local e o laudo deve sair em até 30 dias. A polícia também quer saber se a minimontanha-russa podia ser usada por adultos.

O proprietário do salão de festas, Rodrigo Saraiva, esteve ontem na delegacia, mas não apresentou os documentos do estabelecimento que haviam sido pedidos pela polícia. No fim da noite de ontem, o delegado ainda aguardava a papelada.

A reportagem tentou contato telefônico com Saraiva, mas um homem que se identificou como Jefferson atendeu o celular do dono do bufê e afirmou que ele não estava disponível. O Buffet Aquarela Kids é uma rede com quatro unidades, todas no Tatuapé. Uma festa no local custa, em média, R$ 10 mil.

Sem licença. O bufê já é conhecido da Prefeitura de São Paulo. A casa, que não tem licença de funcionamento, foi intimada pela administração municipal no dia 21 de maio do ano passado. Na ocasião, o bufê tinha cinco dias para regularizar sua situação ou fechar as portas.

Como o estabelecimento não cumpriu a determinação da Prefeitura, recebeu multa de R$ 2.560,20 e foi novamente intimado. Tinha mais um mês para se regularizar ou encerrar a atividade. Novamente a resolução da Prefeitura não foi seguida e o Aquarela Kids foi multado mais uma vez, em R$ 5.031,36.

A partir disso, a Prefeitura iniciou o processo para fechar definitivamente o bufê e o estabelecimento recebeu outra multa, de R$ 11.467,20. O proprietário entrou com ação na Justiça, que lhe concedeu liminar para continuar funcionando. No julgamento da decisão, o juiz revogou a liminar e o local foi interditado no dia 6 deste mês.

"Constatado o funcionamento do bufê no último fim de semana, fica caracterizado o crime de desobediência, que será informado à Polícia Civil", disse ontem a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras. / COLABOROU CRISTIANE BOMFIM

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