Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE

Advogada de defesa vai pedir anulação do júri e também pode ser processada

No segundo dia de julgamento, Ana Lucia Assad mandou juíza 'estudar mais'; agora, deve responder por crimes contra a honra

Adriana Ferraz e Artur Rodrigues, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2012 | 03h01

A advogada de defesa de Lindemberg Alves, Ana Lucia Assad, vai pedir a anulação do júri. Mas a defensora também deve responder a processo. A juíza Milena Dias encaminhou pedido ao Ministério Público Estadual para que a processe por crimes contra a honra - injúria e difamação, uma vez que Ana Lucia teria tentado humilhar a magistrada.

Anteontem, no segundo dia de julgamento, a defensora mandou a juíza "ler mais, voltar a estudar", após a magistrada dizer durante o julgamento que o princípio da verdade real não existe. Se processada e condenada, a advogada poderá pagar multa ou cumprir pena de detenção.

A defensora afirmou que pedirá nulidade total do julgamento. Abalada, deixou o fórum sem falar com a imprensa. Para a advogada, durante sua explanação, a mídia, a polícia e até mesmo Eloá Pimentel tiveram corresponsabilidade pelo crime praticado por Lindemberg Alves no Fórum de Santo André. A defensora sustentou a tese de que o rapaz cometeu um homicídio culposo (não intencional), assumindo o risco de praticá-lo ao andar armado. E ela ainda deu pistas de que poderia pedir a anulação do júri, após registrar ata sobre o assunto.

"Eloá era bonita, altiva, mas tinha gênio forte. Ela deixou a situação pior do que já estava. Não quero atacá-la, certamente ela deve estar no céu", afirmou Ana Lucia sobre a vítima. Já Lindemberg é visto por ela como "genioso", mas "uma pessoa calma, sensata, de bem". "Ele não é um marginal como alguns que estão em Brasília, desviando verbas", disse. Para ela, o rapaz é um bode expiatório por ser pobre.

Grande personagem do julgamento, a advogada teve a si mesma como um dos principais temas de sua explanação. "Tentaram passar que essa defensora fosse mal preparada ou burra mesmo", afirmou Ana Lucia.

Roupa suja. Segundo ela, Eloá ainda é o grande amor da vida de Lindemberg. "Nesses três anos e quatro meses, ele não recebeu uma visita íntima (na prisão), porque não quer outra mulher na vida dele." Por isso, Lindemberg queria "privacidade", porque "roupa suja se lava em casa".

Ana Lucia afirmou que "alguns policiais e jornalistas" deveriam sentar no banco dos réus ao lado de Lindemberg. Para ela, o caso só teve grande repercussão porque na época "não devia estar passando nada". A defensora também responsabilizou jornalistas. "Em busca de Ibope, transformaram esse rapaz em um monstro, um anticristo frio e calculista", disse. No entanto, admitiu que Lindemberg também tem culpa. "Não vou santificá-lo nem canonizá-lo. Ele tem responsabilidade."

Dos 12 crimes que pesam sobre o rapaz, ele só assumiu o homicídio de Eloá e a tentativa de assassinato de Nayara, ambos na modalidade culposa, além do cárcere privado de Eloá e os quatro disparos de arma de fogo. A defesa nega os crimes de tentativa de homicídio contra o sargento Atos Valeriano e os cárceres privados dos três amigos de Eloá. "Eles (Lindemberg, Eloá e Nayara) se divertiam lá", afirmou. O tiro contra Nayara é um dos pontos em que ela divergiu do próprio cliente, que afirmou não se lembrar do assunto.

Apesar de não ter usado todo o tempo que lhe foi responsabilizado, ela incitou a Promotoria a pedir a réplica, sem sucesso. Aos jurados, apelou que olhassem para Lindemberg como alguém da família, não como o personagem que viram no "reality show criminal" na TV.

Mais conteúdo sobre:
caso eloá

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.