Advogada de defesa diz para juíza voltar a estudar

Defensora ainda disse que magistrada deveria 'ler mais', após discussão sobre existência do conceito da 'verdade real'

O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2012 | 03h04

A tensão entre a advogada de defesa, Ana Lucia Assad, e a juíza Milena Dias atingiu o ápice ontem, quando a defensora mandou a magistrada "voltar a estudar".

O desentendimento aconteceu quando a defensora insistia em um ponto técnico em nome do conceito da "verdade real". A magistrada afirmou que tal conceito não existia. "Então a senhora deveria ler mais, voltar a estudar", retrucou a advogada.

A declaração causou alvoroço na plateia. A promotora Daniela Hashimoto ameaçou a advogada, dizendo que se tratava de crime de desacato a autoridade. "A senhora pode responder por isso", disse.

Esse foi apenas um de vários pontos de tensão envolvendo as três mulheres à frente do julgamento de Lindemberg Alves. Logo de manhã, a advogada desistiu em usar a mãe de Eloá como testemunha, após ter feito o pedido para que ela depusesse. Quando Ana Cristina Pimentel, de 45 anos, entrou no plenário e sentou no banco das testemunhas, a defensora levantou e afirmou que não gostaria mais de ouvi-la. Por outro lado, a acusação afirmou que tinha interesse no depoimento. Diante do impasse, Ana Lucia Assad ameaçou pela segunda vez deixar o júri e anular, portanto, o julgamento de Lindemberg. Anteontem, a mesma estratégia havia sido adotada por ela, mas pelo motivo contrário: a ameaça de deixar o júri estava relacionada à negativa do depoimento de Ana Cristina.

Desistência. À tarde, Ana Lucia foi repreendida pela juíza ao levantar do plenário no meio de um depoimento. Depois, causou nova tensão ao afirmar que havia desistido do depoimento do perito Hélio Ramacciotti. Mas a juíza Milena Dias disse à advogada que, como o perito já havia começado a prestar depoimento, não poderia mais ser dispensado. / A.F. e A.R.

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