Adolescentes tentam fazer arrastão em escola de Pirituba

Ação de cerca de 20 jovens foi no intervalo e criou pânico; alunos impediram invasão com pedaços de pau

GIO MENDES, O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h03

Um grupo de 20 jovens tentou invadir ontem a Escola Estadual Ermano Marchetti, na Chácara Inglesa, região de Pirituba, zona norte da capital paulista. A ação do bando foi por volta das 10h20, durante o intervalo. Os alunos entraram em pânico, segundo os professores. O grupo de invasores chegou a escalar o muro dos fundos da escola, mas estudantes pegaram pedaços de pau e conseguiram impedir a entrada deles. Na fuga, alguns jovens furtaram produtos de uma lanchonete do bairro.

Segundo a professora de Língua Portuguesa Rosa Maria de Araújo, de 36 anos, dezenas de alunos correram desesperados buscando proteção na sala dos professores, que fica no terceiro piso da escola. "Muitos alunos estavam chorando. Foi uma confusão. O corredor ficou tomado por estudantes, que pediam para a gente trancar as portas das salas de aula", contou Rosa. Havia cerca de 680 alunos na escola no momento da invasão. "São 17 salas de aula, cada uma com 40 alunos, em média", afirmou a professora.

Segundo a professora, alunos comentaram que a ameaça da invasão tinha sido programada pela internet. "Eles relataram que queriam roubar os celulares dos estudantes", disse Rosa.

Alunos ouvidos pela reportagem deram duas versões para o motivo da invasão. Segundo um estudante de 14 anos, o bando teria alegado que iria roubar os alunos que eram metidos a "riquinhos". Outro, de 15, disse que a ação foi planejada por um jovem que não estuda na escola. Esse rapaz teria sido esfaqueado no começo do ano por um aluno da escola, que estaria defendendo a irmã de assédio.

Ainda segundo os estudantes, os invasores são de outra escola estadual da região. O grupo fugiu antes da chegada da Ronda Escolar da Polícia Militar e invadiu um bar para furtar refrigerantes. "Só consegui ver duas garrafas de dois litros nas mãos dos moleques", afirmou o comerciante José Genacir, de 49 anos.

Insegurança. A costureira Beatriz Angélica Jacob, de 35 anos, ficou sabendo do caso ao buscar o filho de 10 anos, às 17h30. "Se soubesse disso antes, não teria deixado ele vir para a escola à tarde." Segundo Beatriz, falta policiamento na região.

As aulas foram suspensas só no período da manhã. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, a PM acompanhou a saída dos alunos. A secretaria também informou que pediu reforço de policiamento na região. Uma viatura da PM permaneceu no local até as 16h30. A reportagem não viu mais o carro das 17h às 18h.

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