Jovens denunciam estupro no Ibirapuera

Jovens denunciam estupro no Ibirapuera

Crimes teriam ocorrido durante 'rolezinho', evento informal que reúne milhares de adolescentes

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

18 Janeiro 2016 | 16h38

Atualizada às 21h20

SÃO PAULO - Duas jovens relataram à Polícia Civil terem sido estupradas no fim da tarde de domingo, 17, no Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Uma das meninas tem 16 anos e a outra, 18. Os casos aconteceram nos arredores da marquise do parque, onde foi realizado um “rolezinho”, evento não autorizado pela Prefeitura de São Paulo e marcado por adolescentes por meio das redes sociais. As denúncias serão investigados pelo 36.º Distrito Policial (Vila Mariana).

Os crimes teriam acontecido em um local do Ibirapuera conhecido pelos jovens como “bananal”, região de baixa movimentação próxima do portão 5. Após a denúncia, as garotas foram levadas para o Hospital Pérola Byington, para atendimento médico e psicológico.

De acordo com informações preliminares relatadas por uma das jovens à polícia, as vítimas teriam conhecido os rapazes no parque. A polícia ainda não sabe se os criminosos faziam parte do evento.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que está ouvindo testemunhas e buscando imagens das câmeras de segurança do parque para esclarecer os crimes. A Guarda Civil Metropolitana (GCM), que fazia ronda na região, disse que vai aumentar o número de guardas nos turnos da noite nos sábados e domingos. 

Além dos estupros, a GCM registrou também “furtos e atos de agressão” que resultaram na detenção de suspeitos. Não foi divulgado, no entanto, quem seriam estas pessoas e para onde foram encaminhadas. 

Festa. O evento, chamado de “Rolezinho – Festa do Beijo”, reuniu 12 mil pessoas, segundo a GCM. Um dos responsáveis pela realização do encontro, o “youtuber” Evandro Farias, de 22 anos, afirmou que as festas têm ocorrido há pelo menos três meses, mas nunca havia reunido tantas pessoas de uma só vez. “Sempre foi organizado, mas tinha no máximo 2 mil pessoas. Dessa vez, não teve como controlar”, disse. O jovem relatou ainda ter visto um arrastão no fim do encontro, o que não foi confirmado pela PM.

O intuito da festa, disse Farias, era reunir fãs e seguidores dos “rolezeiros” – jovens que ganham fãs na internet depois de gravar vídeos no YouTube cantando músicas de funk ou falando do cotidiano.

Farias disse ainda que nunca houve preocupação com segurança ou a venda de bebidas alcoólicas, prática proibida no parque, já que os encontros nunca ficaram lotados. “Nós não vendemos nada. Mas tem gente que já leva a bebida de casa.”

Parceria. O presidente da Associação Rolezinho – A Voz do Brasil, Darlan Mendes, disse vai se encontrar com a Prefeitura para estruturar o evento, o que foi confirmado pela gestão municipal. 

A entidade firmou parceria com a gestão em 2014, após episódios de arrastões em shoppings e, desde então, é a responsável pela organização. “Era uma festa de beijo, pegação, para se divertir e trocar ideia”, disse Mendes. O problema, segundo ele, foi que novos grupos começaram a se espalhar pela cidade e a fazer as festas de maneira autônoma.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.