Adolescente que atropelou 4 deve ser ouvida pela Justiça

Jovem comparecerá ao fórum assim que for convocada, mas que isso deve ocorrer apenas no final de dezembro

Rejane Lima, do Estadão,

21 de novembro de 2007 | 17h30

O Ministério Público de Guarujá enviou na última segunda-feira, 19, carta precatória para o Departamento de Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo para que a adolescente N.O.N.D, de 16 anos, que atropelou quatro pessoas no último dia 14, seja ouvida por um promotor da Infância e Juventude da capital paulista, onde a menina vive com o pai e a madrasta, no bairro do Itaim Bibi. De acordo com a assessoria de imprensa do MP, após o recebimento da carta deve será realizado um sorteio que definirá um promotor para ouvir a jovem. Depois disso, o depoimento seguirá para o MP de Guarujá, que dará prosseguimento ao caso. A ação corre na esfera cível e não criminal, pois o ato infracional registrado no Boletim de Ocorrência da Delegacia Sede de Guarujá é de "lesão corporal culposa", aquela onde não houve intenção de lesionar as vítimas. O advogado contratado pela família da menor, André Bezerra, afirmou que a jovem comparecerá ao fórum assim que for convocada pela Justiça, mas que isso deve ocorrer apenas no final de dezembro. Segundo ele, a adolescente nega ter se recusado a prestar socorro às vítimas e ter pedido pressa para ser liberada porque iria viajar. "Ela nega tudo isso, disse que ficou no local e só se lembra de uma pessoa ter lhe dado um copo d'água." Na ocasião, uma testemunha que presenciou o acidente disse que a adolescente ficou sentada na calçada e pediu para ser liberada rapidamente porque tinha um vôo marcado para os Estados Unidos ainda naquela noite. O advogado disse que N.O.N.D não viajou e permanece no País. "Ela não foi viajar e não vai. Não havia nada marcado, não é que foi cancelado por causa do problema. A nossa maior intenção é desmistificar esse mito do desleixo dela", disse Bezerra. Segundo ele, não haverá discussão nenhuma contra o fato de ter sido ela ou não a causadora do acidente "A família possui a intenção e está preocupada em arcar com os danos materiais tendo como a base o que prevê o ECA", afirmou o advogado, que espera que a punição seja uma advertência. "Estamos brigando para ela não ser internada e sim advertida porque que cometeu um erro, cometeu, mas tem estrutura familiar boa." O acidente aconteceu no final da tarde de quarta-feira, dia 14, quando a adolescente atropelou quatro pessoas no Jardim Helena Maria. Ela dirigia em alta velocidade o Corolla que afirma ter pegado escondido do avô. Duas vítimas permanecem hospitalizadas: o garçom Pedro Ricardo Lopes, de 18 anos, que sofreu fraturas expostas na perna e no joelho esquerdo e a cabeleireira Nivia Pastora da Silva Braga, de 34 anos, que fraturou a tíbia em três lugares e precisará ser submetida a cirurgias na perna e na face.

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