Adolescente é morto pela PM durante abordagem na capital

Policial diz que disparou a arma acidentalmente ao descer da viatura; para família, soldado foi, no mínimo, imprudente

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2012 | 03h06

O estudante Yago Batista de Souza, de 17 anos, foi morto na manhã de sábado durante uma abordagem da Polícia Militar na Cohab José Bonifácio, na região de Itaquera, na zona leste de São Paulo. Ele estava com outros dois amigos na Rua Isidoro de Lara, quando foi atingido no ombro direito. O responsável pelo disparo foi o soldado Fernando Celso Camargo Bueno, de 38 anos, do 48.º Batalhão da PM.

O soldado disse em depoimento que, ao descer da viatura, teria disparado a arma acidentalmente. Bueno foi autuado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) e foi arbitrada fiança de R$ 1.244. Ele permanecia detido no Presídio Militar Romão Gomes até as 18h de ontem.

Os familiares da vítima dão outra versão para o caso, e acusam o policial de, no mínimo, ter sido imprudente ao atingir o rapaz. Eles dizem que o soldado estava dentro da viatura quando apontou a pistola .40 para Souza. "Se foi acidentalmente ou não, a gente ainda não sabe. Mas ele parou a viatura, colocou a arma para fora e disparou. Quando ele aborda uma pessoa com a arma apontada, corre o risco de disparar", afirmou o irmão da vítima, o impressor de offset Leandro Batista Lamins, de 30 anos.

Segundo Lamins, Souza não oferecia qualquer risco. "Os meninos estavam desarmados. Meu irmão estava amarrando a chuteira, porque ia jogar bola, estavam só esperando um colega. O meu irmão ainda falou 'ô, senhor, não precisava ter feito isso'. Eles não deixaram nem os colegas socorrem o meu irmão, pediram para que se afastassem."

Auxílio. A PM afirmou que prestará assistência integral à família de Souza e designou dois psicólogos para prestar atendimento. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) divulgou nota lamentando o que considerou um "triste episódio". Ele afirmou ainda que, independentemente da investigação conduzida pela PM, "a responsabilidade do Estado é inegável". Alckmin determinou a instauração de procedimento para que se pague indenização à família de Souza.

No sábado, moradores queimaram pneus e bloquearam a Rua Virginia Ferni, como forma de protesto contra a morte do adolescente. Os dois colegas que estavam com ele no momento dos disparos foram ouvidos pela polícia. O enterro estava previsto para a manhã de hoje, no Cemitério da Vila Formosa. / W.C.

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