Adolescente admite que ligou jet ski em Bertioga

Promotora diz que garoto chorou muito e não deve ser internado na Fundação Casa

DEBORA BERGAMASCO , REGINALDO PUPO / BERTIOGA , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2012 | 03h01

O adolescente de 13 anos acusado de pilotar o jet ski que atropelou e matou no sábado em Bertioga a menina Grazielly Almeida Lames, de 3, admitiu ontem que ligou o veículo. Segundo ele, logo após dar a partida, o jet ski empinou e ele caiu. Sem controle, o aparelho foi em direção à praia.

A informação foi dada em oitiva informal - depoimento previsto no artigo 179 do Estatuto da Criança e do Adolescente - na Vara da Infância e Juventude da cidade. O adolescente chorou muito e disse que levava na garupa outro garoto de 13 anos.

A promotora Rosana Colletta, que ouviu na manhã de ontem o adolescente, diante dos pais e advogado, disse que não poderia dar mais detalhes sobre a oitiva, por se tratar de caso sigiloso. Mas afirmou que "ele não negou os fatos" e declarou que foi autorizado por um adulto a andar no jet ski. "Ele declarou que deu a partida no jet ski e assumiu que estava na praia na hora do acidente." À noite, o rapaz repetiu as informações ao delegado Maurício Barbosa, titular da delegacia de Bertioga, que investiga o caso. Ele prestou depoimento em companhia de seus pais. Eles chegaram pelos fundos do prédio.

Testemunhas. Segundo Rosana, a versão do adolescente é semelhante à de testemunhas ouvidas na delegacia. Ontem, mais três pessoas que estavam na Praia de Guaratuba na hora do acidente foram ouvidas. Eram três turistas - de Mogi das Cruzes, Hortolândia e São Bernardo.

Segundo o advogado da família de Grazielly, José Beraldo, uma das testemunhas disse ter visto um homem levando o jet ski até a praia, trafegando em um quadriciclo de cor vermelha, com um reboque que transportava o aparelho. O homem, segundo Beraldo, seria o caseiro Erivaldo Augusto Cardoso. Ainda segundo a testemunha, identificada como Daniele Cristina, o homem teria retornado ao condomínio de luxo, deixando os adolescentes com o jet ski.

Beraldo afirmou que uma segunda testemunha disse que estava na praia com sua filha, também de 3 anos, quando viu três pessoas levando o jet ski até o mar. Dois adolescentes subiram no aparelho e aceleraram. A embarcação teria "empinado" e eles caíram. Nesse momento, o jet ski seguiu desgovernado, atingindo Grazielly. Outra testemunha teria dito que uma criança foi atingida pelo jet ski antes do acidente com Grazielly, ainda segundo o advogado José Beraldo. A criança, não identificada, teria ficado desmaiada por alguns minutos na areia da praia.

Até ontem, oito testemunhas haviam prestado depoimento. Os pais de Grazielly e dois tios prestaram as declarações na manhã de anteontem, mesmo dia marcado para o depoimento do adolescente, que acabou não comparecendo.

Prestação de serviços. Sobre a punição ao adolescente, a promotora disse que não acredita que ele seja internado na Fundação Casa. Segundo ela, o mais provável é que receba medida socioeducativa de prestação de serviços à comunidade. "Já quem entregou o jet ski para o adolescente poderá ser responsabilizado criminalmente", explicou.

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