Adoção de catracas nas entradas é polêmica

A Universidade Mackenzie vai adotar neste ano um sistema de catracas para aumentar a segurança do câmpus, localizado no limite dos bairros da Consolação e de Higienópolis, região central da capital. A mudança será feita com aval dos universitários, após uma pesquisa em que estudantes e funcionários tiveram de responder se eram favoráveis ao controle mais rígido de acesso à instituição.

Fábio Mazzitelli e William Cardoso, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

De acordo com a universidade, 87% dos colaboradores e 69% dos alunos foram favoráveis à adoção de catracas, prevista para ocorrer até o fim deste ano. O câmpus principal do Mackenzie tem cinco portões de entrada, dois na Rua Itambé, um na Rua Piauí, outro na Rua Maria Antonia e o da Rua da Consolação.

"Votei que podia ter porque é uma alternativa, mas não sei se vai resolver problemas de segurança", afirma Priscila Carro, de 20 anos, aluna do 3.º ano de Engenharia de Produção. "Se eu pedir a liberação de entrada para um amigo ou parente e outros fizerem o mesmo, vai liberar para todo mundo e a catraca perde o sentido", diz.

Outros dois colegas de classe de Priscila também votaram "sim" para as catracas, mas guardam as mesmas dúvidas. "Perguntaram "vai ter mais segurança no câmpus se tiver catraca?". Ficava difícil responder não", lembra Daniel Lopes, de 25 anos.

A instalação de um controle mais rígido no acesso ao câmpus, porém, está longe de ser consenso. "A universidade tem a característica de ser aberta, igual à USP. Com a catraca, a gente vai se sentir meio controlado", diz Tiago Ricciarelli, de 21 anos, aluno do 4.º ano de Arquitetura.

O controle de acesso ao câmpus universitário por meio de catracas é bastante polêmico. "Um sistema como esse de controle de entrada e saída de alunos pode servir também para barrar os estudantes inadimplentes nas universidades e faculdades particulares", afirma Victoria Weischtordt, vice-presidente da Associação dos Professores da PUC.

Dos seis câmpus da PUC-SP, dois têm catracas - Barueri e Sorocaba. A direção diz que só no último o sistema funciona por uma exigência local. Na Universidade Metodista e na ESPM, também há catracas. "Muitos falavam que não era necessário, mas foi importante", diz Diego Salgado de Carvalho, integrante do Centro Acadêmico de Jornalismo da Metodista.

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