Adiados depoimentos sobre morte de ganhador da Mega-Sena

Polícia diz que investigações voltaram 'à estaca zero'; testemunhas serão ouvidas na sexta ou segunda-feira

Tatiana Fávaro, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 19h23

Duas testemunhas que seriam ouvidas pela Polícia Civil de Limeira no caso do assassinato do comerciante Altair Aparecido dos Santos, de 44 anos, tiveram seus depoimentos adiados por causa de correição realizada na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) na tarde desta quarta-feira, 19. Os depoimentos deverão ser colhidos pelo delegado João Batista Vasconcelos nesta sexta-feira ou na próxima segunda.   Veja também: Local da morte de ganhador da Mega-Sena foi alterado, diz IC Suspeito nega ter matado ganhador da Mega-Sena em Limeira  Problemas que a Mega-Sena traz aos ganhadores    Santos foi morto com um tiro no peito após churrasco realizado em sua chácara, no Condomínio Residencial Portal das Flores, para comemorar o oitavo aniversário de seu único filho, Diego, no último domingo. O comerciante saiu para apagar as luzes da casa por volta de 19h30 e levou um tiro. O suspeito fugiu sem deixar pistas e sem levar nenhum pertence da vítima. Em maio do ano passado, o comerciante ganhou com mais 13 colegas prêmio de R$ 16 milhões na Mega-Sena. O investigador Valmir Silva disse nesta quarta-feira que as investigações não evoluíram. "Voltamos à estaca zero", afirmou. Isso porque a polícia tinha três linhas de apuração de informações.   O primeiro suspeito, apontado pela família, era o aposentado Dorgival Bezerra de Oliveira, de 52 anos. Ele e mais uma pessoa costumavam jogar com o grupo em bolões organizados por Altair em bar de sua propriedade e não tinham pago o valor da aposta, por isso foram deixadas de fora do rateio do prêmio. Segundo a família disse à polícia na noite do crime, Santos teria sido ameaçado por Oliveira com a frase "Limeira está pequena para nós dois", três dias antes do assassinato. Oliveira esteve nesta segunda-feira na DIG, negou o crime e a ameaça, e apresentou seu álibi, coerente de acordo com o delegado.   O aposentado admitiu, em depoimento, ter dito que Limeira estava pequena, mas porque tinha a intenção de deixar a cidade para fazer tratamento médico e porque não suportava ver os amigos usufruindo de dinheiro sobre o qual Oliveira também julgava ter direito. Meses após o sorteio, cada um dos ganhadores deu uma parte em dinheiro para as duas pessoas que não tinham participado oficialmente da aposta. Oliveira disse ter recebido R$ 270 mil. O delegado João Batista Vasconcelos descartou a possibilidade de pedir a prisão de Oliveira, ao menos neste momento. "Não há nenhum indício de que tenha sido ele (Oliveira)", afirmou.   A segunda informação que chegou à equipe de investigações surpreendeu a polícia, num primeiro momento: de acordo com o Instituto de Criminalística de Limeira, o local do crime teria sido alterado. Nesta terça-feira, o delegado ouviu a mulher da vítima, Maria Izabel Cano dos Santos, de 40 anos, e os pais do comerciante, que também estavam na casa no momento do crime. "Ficou esclarecido: a família estava na casa quando ele (Santos) levou o tiro. A mulher ouviu o barulho, mas não sabia ao certo que era um tiro, pensou que ele pudesse ter caído ou algum objeto ter caído sobre ele. Ele sangrava muito pela boca e nariz. Resolveram lavar o lugar porque o filho estava na casa e ninguém queria que ele visse o sangue", disse o investigador Gildo Ciola.   As testemunhas que seriam ouvidas nesta quarta-feira eram o comerciante Gilberto Manoel de Farias, vizinho que socorreu Santos até a Santa Casa, e a vizinha que teria ajudado a família e lavar o sangue do local do crime. "A gente já conversou com eles, já sabe o que eles vão dizer, então não muda muito o curso das investigações", informou Ciola.   A terceira linha de investigações, mantida sob sigilo, paria de informações recebidas por denúncias anônimas a respeito da vítima e seus relacionamentos pessoais. "Não podemos revelar essas informações, mas elas também já caíram por terra", disse Valmir Silva. "Teremos de começar do zero. A esperança de todo mundo era de um esclarecimento rápido, e temos dado a atenção devida, mas apesar de resolvermos vários casos de homicídios, já houve vezes em que o sujeito entrou na casa, matou, não deixou nenhuma pista e o caso ficou sem solução."   A Polícia Civil de Limeira informou que denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (19) 3441-4997. "Nossa matéria-prima é a informação. Quem tiver como ajudar pode nos procurar", afirmou Silva.

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