Adiada pela 3º vez obra na pista de Cumbica

Motivo agora é risco de onda de atrasos em voos pelo País; Infraero diz que não haverá reflexos no cronograma de expansão do aeroporto

Bruno Tavares, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2010 | 00h00

As obras no sistema de pistas do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, voltaram a ser adiadas ontem. Desta vez, o motivo foi o temor das autoridades do setor aéreo e das companhias de se criar uma onda de atrasos de voos pelo País. É a terceira vez em dois anos que a reforma teve de ser postergada.

Pelo cronograma da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), as obras na pista principal e de taxiamento do aeroporto deveriam começar no domingo e terminar três meses depois, em 15 de novembro. Durante esse período, a pista mais extensa do aeroporto, de 3,7 mil metros, teria de ser reduzida para 2,5 mil metros.

Um estudo feito pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão do comando da Aeronáutica, mostrava que esse encurtamento da pista faria com que a capacidade operacional de Cumbica caísse dos atuais 45 movimentos (pousos ou decolagens) por hora para 28. Sem um completo remanejamento das malhas aéreas das empresas, apontou o estudo do Decea, o aeroporto dificilmente conseguiria absorver o fluxo de aeronaves, o que comprometeria a pontualidade dos voos não só em São Paulo, mas em praticamente todo o País.

A Infraero chegou a elaborar um plano e discuti-lo com representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas as companhias aéreas insistiram no adiamento das obras. Argumentavam que o setor está aquecido e que já haviam vendido milhares de bilhetes para esse período e não teriam como cancelá-los, sob pena de prejudicar seus passageiros. Além disso, a própria Infraero reconheceu que a redução do número de operações afetaria os horários (slots) contratados pelas empresas internacionais.

Planejamento. A nova previsão da Infraero é começar as obras na primeira quinzena de março de 2011. O diretor de Operações da estatal, João Márcio Jordão, afirmou que o adiamento não vai afetar as demais etapas da reforma. "Vamos adiantar etapas previstas para os próximos meses. Não haverá prejuízos para o cronograma de expansão de Cumbica", asseverou.

Para o engenheiro aeronáutico Jorge Leal Medeiros, professor da Escola Politécnica (Poli) da USP, essa é mais uma prova da falta de planejamento da estatal. "Estão caindo pela enésima vez no mesmo problema", assinalou. Segundo ele, a Iata, associação internacional que representa as companhias, recomenda que as alterações de malha sejam comunicadas com 3 meses de antecedência. "Não faz sentido pedir isso de um dia para o outro", completou Medeiros.

Superfaturamento. A reforma das pistas e a ampliação do pátio de Cumbica deveriam ter começado em janeiro 2005, com previsão de término em junho de 2008. Três meses antes do prazo final, o consórcio formado pelas construtoras Queiroz Galvão/Constran/Serveng paralisou os trabalhos, segundo informou a Infraero à época. Divergências nos valores cobrados e indícios de superfaturamento apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) fizeram com que as partes rescindissem o contrato de R$ 270 milhões.

Em maio, o Departamento de Engenharia e Construções do Exército firmou parceria com a estatal para tocar as obras. O projeto prevê a criação de duas "saídas rápidas" entre a pista e a área de taxiamento, para tornar mais rápido o acesso dos aviões ao terminal de passageiros.

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