Caio do Valle/AE
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Adiada de novo, eleição em sindicato de motoristas terá urna eletrônica

Depois de tiroteio na frente da sede da entidade, no centro, Justiça Eleitoral fará apuração de votos

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2013 | 15h56

SÃO PAULO - A eleição para a presidência do sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo (Sindmotoristas), prevista para esta quinta e sexta-feira, dias 25 e 26, foi adiada novamente. De acordo com a entidade, o pleito ocorrerá nos dias 29 e 30 de agosto. A decisão foi tomada nesta quarta-feira, 24, em audiência entre as chapas situacionista e oposicionista, realizada junto com a Justiça Eleitoral.

Ficou acertado que a ação será feita com urnas eletrônicas, para garantir a segurança do pleito, já que, nas datas originais da votação, no início de julho, houve tiroteio na frente do prédio do sindicato, na Rua Pirapitingui, na região central da capital paulista. A ocorrência adiou a votação, já que as urnas de papel sairiam de carro até as 32 garagens de ônibus da cidade.

A polícia está apurando o caso. Dez pessoas se feriram na ocasião, uma delas com gravidade. O delegado Octávio Mascarenhas, adjunto do 5.º Distrito Policial (Aclimação), que investiga o episódio, explicou já ter ouvido 38 pessoas. Agora, ele aguarda os laudos do Instituto de Criminalística (IC) que deverão apontar quantos e de onde foram disparados os tiros. "Eu tenho a informação de que partiram de dentro para fora e de fora para dentro, mas eu não tenho a confirmação ainda."

Testemunhas ouvidas pela reportagem disseram que foram dados ao menos 30 tiros. Mascarenhas disse que o IC está avaliando imagens de câmeras de vigilância do prédio do Sindmotoristas e de edifícios vizinhos do momento do tiroteio. Se os vídeos permitirem identificar algum responsável pelos tiros, a pessoa será indiciada, afirmou ele.

O atual presidente do Sindmotoristas, Isao Hosogi, o Jorginho, tenta a reeleição. Ele ocupa o cargo desde 2004. Seu adversário, José Valdevan de Jesus Santos, o Noventa, é o atual diretor financeiro do sindicato. No passado, ele já foi aliado de Jorginho.

Disputa. A briga pelo comando do sindicato envolve poder político e a gestão de um orçamento anual de mais de R$ 15 milhões - dos quais R$ 1,4 milhão vem de impostos sindicais. A oposição diz que o sindicato fraudou a lista de eleitores e que não teve acesso às urnas antes da votação. O sindicato diz que a oposição não quer eleição e que não entregou a lista de mesários no prazo.

Há suspeita de que os mais de 30 tiros tenham sido disparados tanto de dentro do sindicato, onde estava Jorginho, quanto de fora, onde estava Noventa. Agora, a apuração das urnas será feita pela própria Justiça Eleitoral, o que diminui chances de possível fraude, como denunciava a oposição. Além disso, seu transporte até as garagens ficará mais seguro - um dos temores da situação.

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