Adesão à greve é fraca e apenas Letras teve aulas suspensas

Em outras faculdades, como Poli e Economia, não houve paralisação; centros acadêmicos são contrários ao movimento

FELIPE TAU, FELIPE FRAZÃO, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2011 | 03h05

No dia seguinte à decretação de greve estudantil imediata por uma assembleia realizada na História e Geografia, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) foi a escola com maior adesão à paralisação. Mas apenas algumas aulas foram suspensas. Em outras grandes unidades, como a Escola Politécnica e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), o dia foi normal. O Centro Acadêmico da FEA e o Centro de Engenharia Elétrica divulgaram notas posicionando-se contra a greve.

Na Letras, mais de 250 alunos fizeram uma assembleia pela manhã, na qual a proposta de apoio à paralisação saiu vencedora por 43 votos (148 a 105). Integrantes do centro acadêmico disseram que haverá nova assembleia à noite. Mas eles garantiram que não impedirão a entrada de alunos que queiram assistir às aulas.

Na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), uma assembleia com cerca de 400 alunos de Arquitetura decidiu, por maioria, aderir à paralisação. Já o Grêmio Politécnico não se definiu sobre a greve, mas não tem pressa de fazê-lo. A entidade pretende realizar uma assembleia até o fim desta semana ou no começo da próxima.

Segundo o diretor do Diretório Central dos Estudantes da USP, João Victor Pavesi de Oliveira, a baixa adesão era esperada. Ele explica que no dia de ontem o objetivo era ir às aulas para mobilizar os centros acadêmicos das diferentes faculdades da USP para que se definisse uma estratégia sobre a paralisação. "Amanhã, na assembleia no Largo de São Francisco (que ocorre às 14 horas) teremos um balanço mais preciso de quais cursos aderiram ao movimento."

Trabalhadores. Professores e funcionários da USP iniciaram debates sobre as formas de apoio ao movimento dos estudantes. Mas, em assembleia na tarde de ontem no Instituto de Matemática e Estatística (IME), a Associação de Docentes da Universidade (Adusp) decidiu não aderir à greve e apenas encaminhar pedido para que a Corregedoria da Polícia Militar investigue acusações de possíveis exageros da Tropa de Choque na retirada dos estudantes que invadiram a Reitoria.

O Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp) só pretende tomar posição em reunião hoje, ao meio-dia, na sede da entidade. De lá, os servidores prometem seguir e se juntar aos estudantes em uma assembleia na frente do Largo São Francisco, no centro.

Representante do Centro Acadêmico da FEA, Thomás de Barros, de 22 anos, criticou a radicalização da mobilização estudantil e explicou a recomendação passada aos colegas para que não apoiassem a greve.

"A gente acha que todo o movimento não tem se pautado pelo diálogo e está estimulando uma polarização muito grande", afirmou. "Temos notado uma constante radicalização, tanto para a direita quanto para a esquerda. E os moderados estão ficando reféns disso."

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