Acusados de extorquir padre Júlio são transferidos para prisão

Quadrilha tem prisão preventiva decretada após padre afirmar ter sido vítima de extorsão e dado até R$ 80 mil

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

29 de outubro de 2007 | 13h02

Anderson Marcos Batista e Evandro dos Santos Guimarães, acusados de extorquir o padre Júlio Lancelotti, foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória do Belém, na zona leste da cidade, na manhã desta segunda-feira, 29. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, eles tiveram o pedido de prisão preventiva decretado após as denúncias de extorsão feita pelo padre Júlio no início de outubro, que contou ter dado R$ 80 mil ao grupo e financiado a compra de uma picape. Ex-interno da Febem (atual Fundação Casa), Batista foi preso na noite de sexta-feira, 26, com a mulher, Conceição Eletério, e Evandro. Ele disse que recebeu entre R$ 600 mil e R$ 700 mil do padre, que teria dado o dinheiro espontaneamente porque os dois mantinham um relacionamento sexual. Presos no 31º Distrito Policial, no Belém, eles fizeram exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) antes de serem transferidos. Conceição Eletério, mulher de Anderson, também seria transferida para o Complexo do Carandiru na manhã desta segunda.  Nesta segunda, a Polícia Civil começa a rastrear pagamentos feitos pelo padre Júlio Lancellotti à quadrilha e as compras realizadas pelos criminosos. O objetivo do delegado André Luiz Pimentel, do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 5ª Seccional, é verificar se as informações fornecidas por Anderson, de 25 anos, são verdadeiras. Depoimento Em seu primeiro depoimento à polícia, Batista disse ter ido com o padre a uma agência bancária do Santander/Banespa da Avenida Celso Garcia, no Tatuapé, zona leste, para sacar R$ 40 mil, em outubro ou novembro de 2006. Também afirma ter comprado carros e uma televisão, nas Casas Bahia, com o dinheiro que recebeu.  "Está claro que esse rapaz tinha vida incompatível com seus ganhos", disse Pimentel. "Vamos checar se essa e outras movimentações financeiras ocorreram e a origem do dinheiro." No sábado, ao anunciar a prisão dos acusados, Pimentel disse que pretende pedir à Justiça a quebra de sigilo bancário do padre. Ele descartou a possibilidade de desmembrar o inquérito para apurar novas denúncias - Batista acusa o padre de ter abusado sexualmente dele quando era interno da Febem. A partir desta segunda, a Procuradoria-Geral de Justiça deverá indicar um promotor para acompanhar o caso. "Já há um promotor natural", disse o procurador-geral, Rodrigo César Rebello Pinho. "Vou analisar a questão amanhã (nesta segunda)." Fora da rotina Ao contrário do que costuma fazer, Lancellotti não celebrou a missa de domingo na Paróquia São Miguel Arcanjo, no Belém. A cerimônia das 7h30 foi conduzida pelo padre João Batista, da Paróquia Santa Rita de Cássia, Pari. Mas, em diversos momentos, houve menções ao caso de Lancellotti. "A justiça de Deus é diferente da dos homens. Vamos trazer as dores do padre Júlio aos nossos corações", disse o sacerdote. Ao fim da missa, fiéis afirmaram seu apoio e solidariedade a Lancellotti. O padre Júlio saiu de casa, na Rua Irmã Carolina, no Belém, pela manhã e voltou às 9 horas. Mais magro, tinha o semblante abatido. As janelas do sobrado branco onde ele mora com a mãe, de 84 anos, ficaram fechadas. Às 12h10, o bispo d. Pedro Luís Stringhini esteve no local para mostrar solidariedade.  (Colaboraram Bruna Fasano e Bruno Tavares, do Estadão.)

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