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Acusado de tortura, policial que agrediu comerciante é preso

Na avaliação de juíza, investigador da Corregedoria da Polícia Civil abusou da autoridade e teve uma conduta 'extremamente grave'

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

15 de abril de 2016 | 13h02

SÃO PAULO - Acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) pelos crimes de tortura, constrangimento ilegal e abuso de autoridade contra o comerciante iraniano Navid Saysan, o investigador José Camilo Leonel, da Corregedoria da Polícia Civil, foi preso nesta quinta-feira, 14, a pedido da Justiça. No dia 21 de janeiro, a vítima foi agredida dentro de uma loja nos Jardins, na zona sul de São Paulo, após se recusar a devolver o dinheiro para uma amiga de Leonel.

As imagens, gravadas pelo sistema de segurança do comércio, foram divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo. A prisão preventiva foi decretada pela juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda. 

“Sua conduta é extremamente grave, merecendo pronta e enérgica atuação estatal, até porque, com ela, sendo usados veículo e armamento públicos, seu ato trasvestido de oficial, o Estado foi atingido”, disse a magistrada na decisão do último dia 13 de abril. A Secretaria de Estado de Segurança Pública confirmou que Leonel está detido no presídio da Polícia Civil. Antes de ir à loja, o policial se encontrou com a estudante Iolanda Delce dos Santos, de 29 anos, em um café. Ela quem tinha comprado o tapete e, após se encontrar com o Leonel, dirigiu-se até o comércio do iraniano. 

Ao chegar ao local, o comerciante ofereceu um vale-compras, mas se negou a devolver o dinheiro. Iolanda saiu da loja, ligou para o policial e, em poucos minutos, ele chegou ao local, exigindo que Saysan devolvessem o dinheiro dela. Houve então discussão, seguida pela sequência de agressões. O iraniano chegou a ficar com a cabeça sob a mira da arma de Leonel. Para aumentar o nível de intimidação, o investigador chamou amigos do Grupo de Operações Especiais (GOE), grupamento de elite da Polícia Civil. 

O proprietário, os funcionários e a cliente foram levados até a Corregedoria para registrar a ocorrência. Lá, Leonel disse que estava passando pela avenida quando atendeu ao “apelo” de Iolanda. A juíza negou o pedido de arquivamento do processo contra estudante, também acusada de tortura. “Há filmagens indicando que ela que teria chamado o acusado para o local, após a desavença sobre o tapete, que o conhecia anteriormente bem como que ela presenciou toda a ação dele, dos policiais que vieram em reforço, bem como que anuiu com a conduta daquele, concorrendo efetivamente com os crimes”, justificou a juíza. 

O advogado de Iolanda, Roberto Podval, afirmou que “não vai fazer nenhum juízo de valor” sobre a alegação da magistrada. “Ela é a juíza do caso, e ela que decida. Mas para contestar o arquivamento proposto pelo Ministério Público Estadual, antes ela precisa devolver a proposta para Procuradoria-Geral de Justiça”, disse. 

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