Acusado de participar de chacina em Guaíra diz não ter atirado

Em depoimento à polícia, Ademar Fernando Luiz disse que estava na chácara como segurança de outro suspeito

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2008 | 19h32

A polícia apresentou nesta quarta-feira, 22, em Cascavel, no oeste do Paraná, o pedreiro Ademar Fernando Luiz, de 27 anos, preso na terça, em Lucas do Rio Verde (MT), sob acusação de participar da chacina de Guaíra (PR), que deixou 15 mortos. Segundo a polícia, Luiz, que é conhecido como Dubreik, era monitorado desde quinta-feira da semana passada. A polícia afirmou que, em depoimento, ele disse que estava na chácara no momento da tragédia, como "segurança" para Jair Corrêa, de 52 anos, acusado de ser o mentor da chacina. Mas garantiu que não deu nenhum tiro.   Veja também: A crônica da chacina em Guaíra Galeria traz fotos de Guaíra  Ouça o relato do repórter Bruno Paes Manso  Ouça o relato do fotógrafo Tiago Queiroz  Todas as notícias sobre a chacina     Corrêa foi preso na semana passada em Rosana (SP) e também negou, em entrevista coletiva, qualquer participação ou que estivesse no local. Disse ter sabido do que aconteceu ao ouvir no rádio. A polícia acentuou, no entanto, que ele teria confessado a participação. Dubreik foi preso quando saia da casa de um amigo, onde estava hospedado desde o dia 8, para trabalhar em uma construção civil. A polícia acredita que pelo menos mais uma pessoa participou da tragédia, e está em sua captura. Luiz não conversou com repórteres ontem.   No depoimento, Dubreik teria afirmado que uma terceira pessoa, que disse não conhecer, também atirou contra as vítimas. Ele contou à polícia que foi chamado por Corrêa para ir à chácara, pois pretendia matar Nel (Manoel Pascoal da Silva, um dos mortos) e Nelsinho (não identificado). Eles seriam os executores da morte de Dirceu de Souza Pereira, enteado de Corrêa, cerca de 20 dias antes da tragédia. Segundo o acusado, os três chegaram à chácara de Jossimar Marques Soares, o Polaco, um dos mortos, por volta das 6 horas da manhã.   De acordo com a polícia, eles teriam, então, começado a beber cachaça e chupar laranjas, perdendo o controle da situação, e acabaram matando quase todas as pessoas que chegaram à chácara durante a manhã e início da tarde. Luiz teria confessado que estava com uma carabina 38, Corrêa tinha um revólver calibre 357 e o outro acusado, cuja identidade é mantida em sigilo pela polícia, uma espingarda calibre 12. As armas teriam sido perdidas durante a fuga. De acordo com o depoimento, por volta das 14 horas, eles deixaram a chácara e, com um barco, rumaram para o Paraguai, onde ficaram escondidos por seis dias. De lá, teriam ido a Itaquiraí (MS), onde se separaram.   Corrêa seguiu para Rosana de barco, onde foi preso, enquanto ele foi de ônibus para Lucas do Rio Verde, a cerca de 1.500 quilômetros de Guaíra, por ter um conhecido por lá. Ele também revelou para onde teria ido o terceiro acusado, mas a polícia preferiu manter o local em sigilo. Luiz afirmou que a chacina e a fuga foram planejadas por Corrêa durante três dias. Dubreik já tem passagem pela polícia. Ele foi solto em abril deste ano, depois de ter ficado preso na Penitenciária de Maringá por quatro anos por tentativa de latrocínio.

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