Acusado de matar cunhada pede para substituir advogado e júri é cancelado

Segundo o TJ, Sandro Dota afirma não confiar mais no defensor; Bianca Consoli foi morta em 2011 aos 19 anos

Luciano Bottini Filho, O Estado de S.Paulo

25 Julho 2013 | 11h02

SÃO PAULO - O júri de Sandro Dota, o motoqueiro acusado de estuprar e matar a universitária Bianca Consoli em setembro de 2011, foi dissolvido na manhã desta quinta-feira, 25. Ele deveria ser interrogado, mas pediu para que seu advogado, Ricardo Martins, fosse desconstituído, segundo a assessoria do Tribunal de Justiça. De acordo com o TJ, ele afirma não confiar mais no defensor.

O júri havia sido suspenso na noite de quarta-feira, depois que o réu alegou estar passando mal. De acordo com o Ministério Público, ele assassinou a cunhada porque ela se recusava a ter relação sexual com ele. O interrogatório deveria recomeçar às 10h, mas ele fez o pedido para retirar seu advogado, e a juíza Fernanda Afonso de Almeida dissolveu o júri do julgamento.

Na quarta-feira, foram ouvidas oito testemunhas de defesa, acusação e pelo juízo, entre as quais três peritos criminais, a irmã de Bianca, Daiane Consoli, e o namorado da vítima, Bruno Barranco, que disse que a estudante era assediada pelo acusado. Ao todo foram arroladas 17 testemunhas, mas só foram ouvidas três no primeiro dia de julgamento e oito no segundo.

A primeira testemunha dispensada era protegida e foi chamada pela acusação. Segundo depoimento da mãe da vítima, Marta Maria Ribeiro Consoli, a testemunha era amiga de Bianca e se recusou a participar da audiência por medo de represália do réu, que a teria ameaçado por telefone de dentro da prisão. Ele está preso, preventivamente, desde 2011, no Complexo de Tremembé.

Ouvida na quarta-feira, a ex-mulher de Dota e irmã de Bianca disse que "ele era possessivo e não gostava de ser contrariado". Delegada no caso, Gisele Capelo descreveu o réu como "mulherengo", segundo depoimentos nas investigações. O namorado da vítima afirmou que ela havia comentado que o motoboy a assediava.

A defesa de Dota nega as acusações e sustenta que o laudo não foi conclusivo em relação ao crime de estupro. A principal prova do Ministério Público são vestígios de pele sob as unhas do corpo de Bianca Consoli, encontrado pela mãe em sua residência na zona leste, em 13 de setembro de 2011.

De acordo com a perícia, o exame de DNA mostrou que a amostra era compatível com o suspeito. Também foi encontrada uma mancha de sangue em uma calça do acusado. A defesa diz que isso ocorreu por um machucado. Já a acusação tenta demonstrar que a vítima tentou se proteger quando saía do banho e lesionou a perna do réu. Bianca Consoli, então com 19 anos, foi encontrada morta no chão por asfixia, com uma sacola de plástico na boca.

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