Acusado de explosão estocava duas toneladas de fogos

Loja era de Sebastião Fernandes, que é cunhado de Sandro Luiz Castellani, dono da loja que explodiu

Bruno Paes Manso e Renato Machado, O Estado de S. Paulo,

02 de outubro de 2009 | 07h31

A Polícia Militar apreendeu 2,050 toneladas de fogos de artifício em uma oficina de funilaria na Vila Pires, em Santo André, na quinta-feira, 1º. O estabelecimento pertence a Sebastião Fernandes, que é cunhado de Sandro Luiz Castellani, proprietário da loja que explodiu na quinta-feira passada, resultando na morte de duas pessoas e na destruição de um quarteirão no mesmo bairro.

 

Veja também:

link Fogos de artifício causam 23 incêndios por mês em SP

link ''O risco de explosão era total'', diz tenente

link Castellani chorou na missa do primo

 

Castellani assumiu em depoimento no 3º Distrito Policial que o material era seu. Ele e Fernandes assinaram um Termo Circunstanciado por armazenar os produtos. Não foram presos.

Os policiais chegaram ao local após uma denúncia anônima de que o proprietário havia recebido os fogos de artifício. A oficina fica em um bairro residencial, na esquina das Ruas Miguel Couto e Coimbra, a menos de 2 km do acidente da semana passada. A PM e o Corpo de Bombeiros interditaram ruas para os trabalhos de perícia do Instituto de Criminalística e de retirada dos fogos.

As 310 caixas com os produtos explosivos estavam localizadas nos fundos da oficina, que tem cerca de 250 m². Havia no estabelecimento produtos inflamáveis, como tintas, solventes e acetileno (usado em maçaricos). "O estrago poderia ser maior que o anterior", diz o tenente-coronel do 41º Batalhão da PM, Mário Roberto de Camargo. A oficina foi fechada, pois não tinha licença para funcionar.

A polícia informou que já havia feito vistoria da oficina, pois sabia se tratar de um parente de Castellani. Na ocasião, nada foi encontrado. Segundo moradores e a polícia, todo o material foi levado para o local dois dias após a explosão da semana passada. Ontem, o funileiro inicialmente informou que os fogos eram seus. No entanto, ele depois revelou que pertenciam a seu cunhado, mas que Castellani havia "garantido" que ficariam ali por pouco tempo.

A Defesa Civil chegou com um pequeno furgão para transportar os explosivos, mas a quantidade surpreendeu os agentes. Foi preciso solicitar um veículos baú da prefeitura de Santo André. A polícia informou que o material foi levado para uma área designada pelo município, que foi isolada. O delegado Alberto José Mesquita Alves solicitou à Justiça autorização para que os explosivos fossem enviados para o Setor de Produtos Controlados do Exército, em Ibiúna, para serem destruídos.

Segundo Alves, a lei não prevê prisão para casos de armazenamento de explosivos. Por isso foi assinado um Termo Circunstanciado, que será encaminhado à Justiça, sem abertura de inquérito policial. Fernandes e Castellani foram registrados como autores da ação no documento. No momento em que a rua estava interditada, os moradores da região ainda ficaram mais apreensivo por causa de um incêndio em uma casa a cerca de três quarteirões do local.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.