Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Acusado de estuprar a neta durante dez anos está livre

No computador de José Carlos de Almeida, investigadores encontraram mais de 12 mil fotos e vídeos dos abusos que cometeu contra jovem

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Um ano e oito meses após ser preso por suspeita de abusar sexualmente da neta durante dez anos, José Carlos de Almeida, de 68, ganhou da Justiça, na quarta-feira, o direito de responder às acusações em liberdade. Segundo as investigações, Almeida violentou a neta dos 5 aos 15 anos e filmou os abusos. No computador dele, os investigadores acharam mais de 12 mil fotos e vídeos de seus crimes.

A decisão do juiz Xisto Albarelli Rangel Neto, da Vara de Violência Doméstica de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, levou em consideração o fato de Almeida estar há mais de um ano preso e que, no entender do magistrado, não oferece mais risco ao andamento do processo.

A família da menina está indignada. A vítima ficava sozinha com o acusado enquanto a mãe, a avó (mulher dele) e o tio saíam para trabalhar. “Ele colocou várias câmeras no apartamento e ninguém entendia o motivo. Ele dizia que era questão de segurança. Só depois soubemos que era para gravar os estupros”, contou o tio da menina, que hoje mora em Brasília com a mãe.

O tio e os demais familiares só ficaram sabendo da rotina de abusos praticados por Almeida no dia em que ele foi preso, em fevereiro do ano passado. “Ele tinha de ficar preso o resto da vida. Como pode ele não oferecer mais risco? Soubemos que tentou abusar da prima da vítima, que é mais nova, mas ela conseguiu escapar. Ele tem de voltar para a cadeia”, afirmou.

A Delegacia de Combate à Pedofilia apurou que, após abusar da menina, Almeida a pressionava para não contar nada para ninguém. “Ele dizia que, se alguém ficasse sabendo, ele mataria algum familiar dela”, contou um dos investigadores.

Foi a própria vítima quem revelou os abusos à mãe, quando se mudou para Brasília. Ela voltou a São Paulo para prestar depoimento e fez um mapa do apartamento, indicando o posicionamento das câmeras que gravavam os abusos. “Ela confiou na Justiça. E a Justiça soltou esse homem, que a violentou por 10 anos e filmou tudo. Eu nunca mais consegui dormir depois que vi os vídeos na delegacia”, contou o tio.

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